A Invenção de Hugo Cabret
Um filme absolutamente perfeito
17/02/12 às 18:13 - Por Makson Lima
A Invenção de Hugo Cabret
Hugo
Estados Unidos , 2011 - 126 min. Aventura, Drama.
Estados Unidos , 2011 - 126 min. Aventura, Drama.
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan
Elenco: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloë Moretz, Jude Law e Sacha Baron Cohen
Roteiro: John Logan
Elenco: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloë Moretz, Jude Law e Sacha Baron Cohen
Sinopse: Depois da morte do seu pai relojoeiro, Hugo passa a viver na Gare du Nord, estação de trem em Paris cujos relógios ele acerta diariamente. Como lembrança de seu pai, Hugo fica com um misterioso autômato que tenta remontar com peças que ele rouba de uma loja de brinquedos na estação. O autômato o conduzirá para uma descoberta incrível.
Martin Scorsese é, sem dúvida alguma, um dos maiores cineastas vivos atuantes. Seu mais novo longa, A Invenção de Hugo Cabret, não só é um marco tecnológico como também uma aula de como contar uma história dentro de outra história, prestando homenagem a arte que tanto o inspirou por toda sua vida – o cinema.
Fui à sessão esperando ver algo fantasioso dentro de uma história infantil, que sem dúvida resgataria um passado cinematográfico que guardo com muito carinho. Mas me deparei com um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Não estava preparado para Hugo.
O filme começa com o pobre garoto do título a roubar peças de uma loja de brinquedos na maior estação de trem de Paris, por volta dos anos 30. Ele precisa delas para consertar uma herança deixada por seu falecido pai – um boneco autômato e misterioso que guarda um segredo. Hugo vive uma existência difícil pelos corredores escuros e escondidos da enorme estação de trem. A grande reviravolta da trama se dá justamente quando ele junta forças com o dono da loja da qual roubava.
Caso você tenha algum tipo de ligação sentimental com a obra do famosíssimo cineasta francês Georges Méliès, diretor e protagonista de obras-primas como Viagem à Lua, O Monstro e Reino de Fadas, prepare-se para se emocionar. O dono da loja de brinquedos em questão é ninguém mais ninguém menos que o cineasta deprimido e aposentado.

De uma maneira muito delicada, a narrativa de Hugo une duas histórias de sobrevivência em decorrência da crueldade do destino. Hugo, após ser adotado por seu tio bêbado e Méliès, que viu seu trabalho esvaecer após a primeira Grande Guerra.
Martin Scorsese dirige Ben Kingsley dirigindo e protagonizando filmes no papel do grande cineasta francês dentro de cenários que, por mais incrível que possa parecer, foram todas arquitetados e projetados, deixando de lado a computação gráfica. A tecnologia utilizada para recriar filmes de quase cem anos atrás é absurda. Poder rever cenas de Reino de Fadas em 3D e ainda sentir-se parte do elenco, por acompanhar as câmeras pelos bastidores e aflições dos atores momentos antes de entrarem em cena traz uma sensação indescritível.
A Invenção de Hugo Cabret traz um elenco de peso, com a veterana Helen McCrory como esposa do aposentado diretor e Sacha Baron Cohen como um atrapalhado e perneta fiscal da estação de trem. A dupla infantil que protagoniza as cenas mostra a precisão do diretor em realizar o que quer, pois Asa Butterfield e Chloë Grace Moretz são soberbos e nada clichês.
“Você já se perguntou onde nascem os sonhos? Dê uma olhada por aí: eles são feitos aqui”, diz Méliès ao garoto que curiosamente o assiste dirigir uma cena em seu estúdio. A Invenção de Hugo Cabret não só faz emergir sentimentos há muito perdidos como traz uma nova esperança para os aspirantes cineastas. Um filme que sem dúvida marcará época na vida de todos aqueles que se propuserem a assisti-lo, como também na história desta arte que tão avidamente se propôs a homenagear.
Autor da crítica
Makson Lima
Fã de jogos de terror e RPG japonês, é completamente maluco por cinema e rock'n'roll. Alfred Hitchcock e David Lynch são seus diretores do coração, mas não troca um filme de George Romero ou David Cronenberg por nada no mundo. Tem como séries favoritas Resident Evil, Shin Megami Tensei, Final Fantasy e, claro, Silent Hill. Acha crueldade demais fazer uma lista tão breve com os filmes de sua vida, além de detestar falar sobre si mesmo na terceira pessoa.
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