Atividade Paranormal 4
O que aconteceu com os mal assombrados Hunter e Katie?
19/10/12 às 14:00 - Por Makson Lima
Atividade Paranormal 4
Paranormal Activity 4
Estados Unidos , 2012 - 88 min.. Horror.
Direção: Henry Joost e Ariel Schulman
Roteiro: Christopher Landon
Elenco: Katie Featherston, Kathryn Newton, Matt Shivley, Brady Allen, Alisha Boe e Tommy Miranda
Sinopse: Cinco anos depois do desaparecimento de Katie (em Atividade Paranormal) e Hunter (em Atividade Paranormal 2), uma família começa a testemunhar estranhos eventos quando uma mulher e uma criança misteriosa se mudam para a vizinhança.


Só há uma maneira de assustar a audiência moderna de filmes de terror: com mockumentaries. A juventude de hoje está engajada demais em violência para se surpreender com monstros, criaturas sobrenaturais e até mesmo fantasmas orientais. A coisa anda feia, e o subgênero em ascensão dos “falsos documentários” se mostra uma das únicas formas reais de causar terror (de mentirinha, claro) em uma plateia adaptada demais ao escárnio.

Ainda mais preocupante com o cenário no qual o gênero se inclui é o fato de não termos mais séries periódicas de filmes de terror. Jogos Mortais fez jus ao movimento e Premonição vez ou outra dá as caras para jogar aquela carne moída na nossa cara, mas nada disso faz frente ao que víamos nos anos 80. A comparação beira o deprimente. Sendo assim, Atividade Paranormal é a única série mainstream de horror com uma periodicidade religiosa (há ainda Hatchet, Wrong Turn, Fritt Vilt e mais alguns, mas daí o negócio fica underground demais) e isso por si só já é digno de respeito, seja você fã da franquia ou não. É batata (e continuará sendo enquanto os bolsos da Paramount continuarem a se encher com dinheiro paranormal): todo Halloween teremos um novo AP. E isso não poderia me deixar mais feliz.

Atividade Paranormal 4 (aviso: haverá spoilers de outros filmes da série aqui) é continuação direta do segundo longa, já que o terceiro faz o excelente papel de nos contar como as pobres irmãs Featherston acabaram assombradas por um demônio. Como protagonista da história, Alex (Kathryn Newton) faz o papel da adolescente moderna e modernizada, gravando seus dias desinteressantes com sua handcam e celular, seus envolvimentos com seu namorado (Matt Shively) e suas interações familiares.

Caso não se lembre do final de AP2, há no início uma pequena recapitulação dos eventos, onde vemos Katie (Katie Featherston – pois é, a atriz fez questão de usar seu próprio nome no filme e assim assombrá-lo para sempre), já possuída, ao assassinar sua própria irmã e sequestrar seu sobrinho, o pequeno e indefeso Hunter. E é aí que as coisas se associam a Alex e sua família, já que Katie e seu novo rebento se tornam vizinhos de porta da mesma.



Após um incidente misterioso, Katie é levada ao hospital e o pobre garoto, por não ter parentes ou responsáveis, passa a viver com Alex, mais especificamente no mesmo quarto que seu irmão mais novo. E é aí que as coisas começam a piorar (ou melhorar, tudo depende do seu caráter).

AP4 traz a mesmíssima linguagem dos outros filmes da série, com seus graves problemas de ritmo, oscilações muito mal empregadas e cortes bruscos muitas vezes no meio de frases. Há novos recursos dessa vez, como câmeras em notebooks e uma outra que faz uso da visão noturna para gravar os pontos de captura do Kinect, periférico ultra famoso do Xbox 360. No entanto, nada disso é o suficiente para evoluir a série de qualquer maneira, mas creio que isso não seja um problema, já que os produtores fazem questão de manter tudo da mesma forma.

Quando Alex começa a notar que o garoto Robbie (menção honrosa ao coelhinho macabro de Silent Hill ou um nome carinhoso à Rob Zombie, já que Dragula está no filme?) trouxe algo de estranho para dentro da casa, ela e seu namorado dão um jeito de gravar tudo com o intuito de documentar eventos paranormais, e a partir daí as noites passam a ser contadas, exatamente como nos outros filmes.



O grande segredo do porquê Atividade Parnormal continua a funcionar está todo ligado ao seu tratamento de áudio. Como não há violência explícita e nem nada no gênero, os diretores Henry Joost e Ariel Schulman (responsáveis também pelo terceiro filme da franquia) aplicam muito bem o susto físico advindo do som alto no silêncio. Tendo a criticar isso com veemência em outras produções, pois trata-se de uma forma gratuita de assustar, mas aqui o nível é outro. Acompanhar segundo a segundo de uma cena estática e sentir a apreensão e tensão chegando espinha acima é uma sensação petrificante e, para os amantes do gênero, gratificante. Somente a presença de Katie em cena já é o suficiente para embrulhar o estômago de forma que poucos outros filmes conseguem fazê-lo. Verdadeiramente conseguiram criar nela uma exteriorização demoníaca de primeira linha, digna de entrar para o clube das possuídas famosas do cinema.

AP4 mantém o legado da série e, apesar de não evoluir as coisas como seu antecessor, faz o trabalho – bem feito, devo ressaltar – de assustar a audiência em meio a sua montanha-russa de inconsistências de tempo (ter uma duração menor faria milagre ao filme). Os quinze minutos finais (e que dão vazão fácil a uma continuação) sem dúvida figuram entre os mais assustadores que vi num filme de terror este ano (V/H/S incluso!). Em suma, caso seja fã da franquia, nem se dê ao trabalho de ler críticas desmerecedoras por aí: vá sem medo que a diversão é garantida. E não saia da sala de projeção até o final dos créditos, pois há uma surpresa das boas!

Autor da crítica
Makson Lima
Fã de jogos de terror e RPG japonês, é completamente maluco por cinema e rock'n'roll. Alfred Hitchcock e David Lynch são seus diretores do coração, mas não troca um filme de George Romero ou David Cronenberg por nada no mundo. Tem como séries favoritas Resident Evil, Shin Megami Tensei, Final Fantasy e, claro, Silent Hill. Acha crueldade demais fazer uma lista tão breve com os filmes de sua vida, além de detestar falar sobre si mesmo na terceira pessoa.
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