Reis e Ratos
Relaxe na poltrona e se distraia
17/02/12 às 12:49 - Por Claudia Ideguchi
Reis e Ratos
Reis e Ratos
Brasil , 2012 - 93 minutos. Comédia, Drama.
Brasil , 2012 - 93 minutos. Comédia, Drama.
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Mauro Lima
Elenco: Selton Mello, Otávio Müller, Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Rafaela Mandelli, Seu Jorge, Paula Burlamaqui e Bel Kutner
Roteiro: Mauro Lima
Elenco: Selton Mello, Otávio Müller, Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Rafaela Mandelli, Seu Jorge, Paula Burlamaqui e Bel Kutner
Sinopse: Rio de Janeiro, 1963. Uma cantora de boate é vítima de um atentado a bomba, e flashbacks revelam que o incidente, ocorrido em plena Guerra Fria e às vésperas do golpe militar, tem participação da CIA, um major da aeronáutica, um latifundiário brasileiro, um trambiqueiro carioca...
Despretensioso em um nível que eu não lembro de ter visto antes no Brasil, Reis e Ratos chega com uma premissa sossegada, basicamente um Onze Homens e Um Segredo tupiniquim. Um filme feito por amigos, com orçamento irrisório e tempo recorde: 17 dias. O diretor Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny) chamou os amigos atores, que chamaram outros amigos atores e juntos eles executaram um longa noir escrachado.
A história do filme é desenvolvida através do ponto de vista de alguns personagens ligados à uma conspiração golpista, entre eles o protagonista Troy Somerset (Selton Mello), um agente da CIA infiltrado no Brasil que já incorporou bem o "jeitinho brasileiro" de se dar bem. Outros personagens incluem o ex-cafetão viciado em anfetaminas Roni Rato (Rodrigo Santoro) e o locutor médium e com uma sexualidade para lá de duvidosa Hervê Giannini (Cauã Reymond). A narrativa vai progredindo de acordo com a participação de cada personagem, com as histórias se misturando.
O filme quase em sua totalidade se passa em preto e branco, indicando quando se trata de uma memória. O recurso deixa bem acentuada a intenção do clima noir e a direção de arte do filme é bem sucedida nesse quesito. Com cenários e figurinos reaproveitados do filme O Bem Amado, Reis e Ratos não deixa a desejar em termos de ambientação.
Essa despretensão, essa experimentação, no entanto, pode confundir um pouco quem gosta de histórias muito bem explicadas e objetivas. Você pode sair do cinema com uma estranha sensação de "o que acabou de acontecer lá dentro mesmo?", mas ela passa. É melhor ir com a cabeça livre de qualquer expectativa e se entreter, porque é um longa divertido, que não se leva a sério. Curta o filme como os atores o curtiram ao faze-lo e não acho que rolará decepção.
Selton Mello, em sua segunda parceria com Mauro Lima encarna quase uma caricatura (que dá certo) com uma personalidade e diálogos divertidos. A dinâmica com Otávio Muller também funciona e distrai, dando a impressão de assistir dois conhecidos conversando sobre o nada numa mesa de bar. E o filme todo é assim, um bando de gente que se conhece, trabalhando confortavelmente e deixando isso claro na telona. Não é a obra-prima de nenhum dos atores ali, mas com certeza tem seu valor pela originalidade. Deixe-se levar por esse clima modesto e entretenha-se.
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Autor da crítica
Claudia Ideguchi
Jornalista que queria ser bailarina ficou feliz com as danças que a informação dá e com o jogo de cintura que a notícia pede. Ou se dança conforme a música ou se vê os outros dançarem com seu parceiro favorito. Amante do lado B do cinema blockbuster, não perde a chance de ver o novo arrasa-quarteirão do mercado ou dar aquela suspirada na comédia romântica previsível.
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