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Mal Passado #04 - Les 7 Jours du Talion
09/05/12 às 19:02 - Por Makson Lima



Está familiarizado com a Lei de Talião? O famoso “olho por olho, dente por dente”? Pois é exatamente esta a base para o filme do Mal Passado desta semana. Les 7 Jours Du Talion (7 Days, no inglês e 7 Dias de Retaliação numa tradução livre para o português), conta a história do médico Bruno Hamel, um pai e marido exemplar, que vive com esposa e filha em uma cidade de classe alta na França. Tudo parece correr bem até que Hamel é atingido de forma cruel e inexorável pelas garras do destino: sua garotinha de oito anos, no breve caminho de sua casa até a escola, é brutalmente violentada e assassinada.

O tema em questão é muito recorrente da vida de muitos, seja dentro ou fora dela, seja neste mesmo nível ou em proporções mais homeopáticas. O que o filme faz – e de maneira impecável – é mostrar o que aconteceria caso o instinto fosse levado em consideração e todo tipo de valores éticos e morais fossem deixados de lado, em uma atitude primitiva, porém honesta, da parte passiva.

Hamel faz do objetivo de sua existência dar cabo do estuprador que, ao ser fatalmente encontrado pela polícia, passa a ser o alvo do antes pacífico doutor. O filme já acerta ao não fazer rodeios para chegar em seu porquê de ser: todo o desenvolvimento da relação pai-filha-marido-mulher é representado nos cinco primeiros minutos de projeção. Encontrar o corpo da menina segue a narrativa que já desemboca no algoz capturado e na realização do doutor. O foco do filme são os sete dias que Hamel irá passar com o assassino, em um chalé isolado nas montanhas. Sete dias numerados um a um, que dão frente a torturas, retaliações, mutilações e todo tipo de justiça crua que um ser humano que não tem mais nada a perder pode executar.

O pedófilo em questão, Anthony Lemaire (vivido por Martin Dubreuil) é um caso perdido, pois já escapara de duas condenações e finalmente havia por pagar da forma mais rígida qaquilo que a justiça francesa haveria de convir. Mas, para Hamel, isso não seria o bastante. O sofrimento a qual Lemaire é exposto é pesado, sendo grande parte atribuído a sem dúvida incrível atuação de Dubreuil. O sujeito sofre muito. Bruno Hamel, também brilhantemente vivido por Claude Legault, é o executor mais verossímil dos últimos anos. A linguagem que o filme assume também ajuda a dar um peso a mais ao que está sendo exibido, pois não há trilha sonora indutora mesmo não se tratando de um falso documentário.

Toda parte técnica - em especial a maquiagem que culmina no grafismo das seqüências de tortura - coloca o longa em um outro nível de seriedade. A equipe por trás desta história estava verdadeiramente comprometida em entregar uma mensagem de impacto, onde não haveria razões de existência para um pai ao perder de forma tão cruel sua filha tão amada.



O filme intercala as seqüências na cabana com a ação de policiais acerca de encontrar o agora famoso doutor/executor, enquanto a esposa deste mergulha em uma depressão profunda e sem volta. O final do filme é bastante previsível, mas creio que a partir do momento que os dias começam a ser contados, o desfecho propriamente dito já havia sido estipulado, entregue a audiência.

Acompanhar os momentos de tortura, o olho no olho do pai com o pedófilo, a total ausência de diálogo nestas seqüências - pois Hamel limita-se a ação, enquanto que o assassino apela para súplicas, choros e gritos, que consequentemente se transformam em ameaças e impropérios - trazem uma sensação primitiva de justiça. Não importa se você é contra ou a favor de pena de morte, se é religioso ou ateu, se é falso moralista ou cético inveterado, o ponto aqui é sentir a dor deste pai e entender de forma profunda sua fúria.

Sem dúvida trata-se de um filme-tortura de extrema qualidade, com um peso emocional enorme e que é merecedor de muito respeito. Difícil classificá-lo como terror ou horror, mas fácil de ser passivo de estar aqui, nestas linhas. Assista este filme e libere um pouco do ódio para com a humanidade que sem dúvida alguma existe em algum lugar de seu âmago.

Autor do especial
Makson Lima
Fã de jogos de terror e RPG japonês, é completamente maluco por cinema e rock'n'roll. Alfred Hitchcock e David Lynch são seus diretores do coração, mas não troca um filme de George Romero ou David Cronenberg por nada no mundo. Tem como séries favoritas Resident Evil, Shin Megami Tensei, Final Fantasy e, claro, Silent Hill. Acha crueldade demais fazer uma lista tão breve com os filmes de sua vida, além de detestar falar sobre si mesmo na terceira pessoa.
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