Ticket Indie #07: Cinco dicas práticas sobre indies
27/06/12 às 17:18 - Por Claudia Ideguchi


Ou nem tão práticas assim, apenas uma geral sobre o que você deve esperar ao escolher um independente para alegrar sua noite chata de quarta feira:
 
1) "Não conheço o diretor, nem os atores, nem o roteirista, socorro!". E daí? Hoje em dia muitos atores que já tem certa fama estrelam filmes independentes, mas a grande maioria ainda é desconhecida (por aqui, lá fora são outros 500) e você não deve se abater por isso. Antes de ser famoso todo mundo foi desconhecido, certo? E eu tenho a ideia que os jovens atores, que tem muito a provar para o mercado, são mais esforçados então mesmo que falte experiência, sinto que eles tem uma energia diferente, uma vontade de atuar que acaba transformando todo o clima do filme. Muitos diretores absurdamente conhecidos e renomados como Quentin Tarantino e os irmãos Coen começaram no cinema independente, então vai que você não acaba assistindo ao filme do próximo ganhador do Oscar?
 
2) "Mas hoje é quarta, tem promoção no cinema, vai ter fila, odeio fila". Errado! Essa é a mágica impressionante dos filmes indies, ninguém faz ideia que sejam legais, por isso ninguém vai. Claro, óbvio, que tem suas exceções e algumas vezes o negócio engata e está bombando que nem Os Vingadores. Mas normalmente não é assim. Chega 5 min antes e compra o ingresso, vai com a gata ou com o gato e não tem transtorno.
 
3) "Tá, não tem fila mas tem shopping cheio, credo, não gosto de muvuca". Esse é um dos lances do cinema indie no Brasil que mais me agradam. Dificilmente, mas dificilmente mesmo, um independente será lançado em 300 milhões de salas. Rola em cinema de shopping sim, mas os mais obscuros ficam restritos aos cinemas de rua, nos círculos de arte. Acho fantástico, porque eu amo cinema de rua. Apesar de poder chegar 5 min antes e comprar o ingresso, eu recomendo chegar uma hora antes, comprar e então passear pelos arredores do cinema, tomar um café e então assistir ao filme. Assiste algo bacana e ainda faz um passeio fora do convencional chatão de ver vitrine até a hora da sessão.
 
 
4) "Acontece que eu odeio esses filmes europeus, acho um saco, tenho preguiça". O inglês é uma língua com a qual estamos muito, mas muito acostumados. Mesmo que não se entenda uma palavra, é sonoro e grande parte dos filmes indies que chegam por aqui são na língua inglesa. Mas as vezes vale o esforço para assistir algo diferente. Parte da experiência é ver o que está sendo produzido no mundo, como as pessoas estão se expressando e é sempre valioso entrar em contato com outras culturas através da arte. Não precisa se jogar no filme húngaro de cara (uma vez eu assisti três filmes suecos na sequência e quase morri, tem que ir com calma), mas se tiver um francês (que sempre fazem uns filmes bem legais e leves de comédia) ou espanhol que soa melhor no ouvido, recomendo que vocês arrisquem. Vale a pena.
 
5) "Tudo bem, só que filme indie é sempre louco, não tem pé nem cabeça, não entendo". Nem sempre é assim. Tudo na vida tem sua exceção, mas por ter mais liberdade em relação à bilheteria, os roteiristas costumam criar enredos mais experimentais. Nem todos são super cabeções ou difíceis de entender, eles são apenas diferentes. Estamos muito acostumados com o esquema de Hollywood, com a estrutura vencedora que eles criaram. A partir do momento no qual um filme vai contra essa estrutura, temos a tendência natural de rejeitar, de achar estranho ou ruim. Acho normal, vem com o tempo notar que esses filmes são diferentes e são interessantes a sua maneira porque nos fazem pensar fora da caixa que estamos acostumados. Nem todos os indies são bons, assim como nem todos os arrasa-quarteirão são bons. O mais importante é abrir a cabeça e também marcar na agenda um espaço para pensar diferente.
 
Bônus: 6) "Eu estava gostando para caramba do filme e ele acabou do nada!". Sim, independentes não se importam em fechar a história de maneira redonda. Existe, mas a maioria dos diretores planeja contar uma história e a partir do momento no qual eles acreditam que ela foi contada, o filme acaba. Eu me frustro pencas quando gosto muito de uma personagem e não tem final para ela, mas entendo, porque é assim. Faz parte da pegada desencanada não se importar em atar todos os nós, o que é bacana, no final das contas. Ao deixar pontas soltas, os filmes independentes nos dão abertura para concluir do nosso jeito o que pode ter acontecido e esse é um diálogo entre nós e a história que fica para sempre.
 
Imagens: A Ponta de Um Crime do Rian Johnson (2005) e Inquietos do Gus Van Sant (2011)
 
Autor do especial
Claudia Ideguchi
Jornalista que queria ser bailarina ficou feliz com as danças que a informação dá e com o jogo de cintura que a notícia pede. Ou se dança conforme a música ou se vê os outros dançarem com seu parceiro favorito. Amante do lado B do cinema blockbuster, não perde a chance de ver o novo arrasa-quarteirão do mercado ou dar aquela suspirada na comédia romântica previsível.
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