Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Binary Domain
Em 2080, você não vai distinguir homens de robôs
28/02/12 às 18:14 - Por Jefferson Kayo
Xbox 360 Playstation 3
Prévia



Binary Domain não é o que podemos chamar de inovador. Tampouco é um título exclusivo de algum console ou será considerado um clássico daqui a alguns anos. Com uma inspiração aqui, outra ali, seguindo uma linha mais ocidental de ação, mas completamente orientalizado em sua narrativa, personagens (mesmo os americanos, franceses, ingleses e chineses), clímax e reviravoltas. É um híbrido inédito muito bem vindo, principalmente nesse mundo de serializações de franquias já fidelizadas com o público.

Desenvolvido pelo recém formado Yakuza Studios, sob a supervisão de Toshihiro Nagoshi, o criador da série de jogos Yakuza, Binary Domain não é ganancioso, explora fórmulas já consagradas (como o tiro em terceira pessoa com sistema de cobertura), ação ininterrupta, atualização de equipamento e alguns upgrades para os status do seu personagem (na forma de nanotecnologia, adquirida durante o jogo, em postos de vendas autorizados), mas o faz de uma maneira competente. 

 
A trama segue a escola Yakuza de como ser apresentada, com cutscenes longas e interessantes, diálogos que desafiam a qualidade técnica dos dubladores (e lipsync das cinematics) e muitas reviravoltas para deixar qualquer jogador balançado em relação a que lado apoiar. Na história principal, a corporação Amada, fabricante número um em termos de tecnologia para a criação de robôs com inteligência artificial, está sendo acusada de violar as leis vigentes do mundo futurístico de Binary Domain ao criar e incorporar socialmente, robôs disfarçados de seres humanos. O detalhe aqui é que nem mesmo os próprios robôs sabem que são máquinas constituídas a ferro e fogo.

 
Chamados de 'Hollow Childs', esses robôs sequer têm noção do que são realmente. O choque da descoberta atinge ambos os lados, o que geralmente ocasiona uma violência desnecessária, também por parte de ambos. Sabendo da existência desses robôs disfarçados de seres humanos, os americanos resolvem invadir o Japão e entregar às autoridades o CEO da empresa. Para isso, uma força tarefa composta por mercenários de diversos países precisará trabalhar em conjunto para que as verdades venham à tona.
 
Você pode não se surpreender com a história de BD, e pior, entender seu cliché de ficção científica como um agouro a ser superado. Mas entenda que clichés bem inseridos podem agradar e divertir o jogador da mesma forma que fazem bonito nos quadrinhos ou no cinema. Não é justo, também, que a densidade dos personagens de BD seja posta lado a lado com os mafiosos de Yakuza, visto que são temas diferentes e, no caso da máfia japonesa, pouco explorada por roteiristas estrangeiros (e quando são, mal e porcamente aparecem como maloqueiros de terno, óculos escuros e sotaque engraçado). Aí sempre temos a impressão de uma coisa surpreendente quando encontramos algo que não nos é comum. Como heróis de um game de ação, os personagens de BD foram até que muito bem trabalhados, mesmo com seus trejeitos caricatos (mas aí entra o mesmo caso da Yakuza retratada por olhos estrangeiros) e frases prontas. Uma mão lava a outra, não é assim?
 
Você controla o sargento Dan Marshall, mas vai poder escolher quem o acompanhará durante a aventura. A ideia é trabalhar o sistema de relacionamento criado por Nagoshi, evoluindo a afinidade entre os membros do time e possibilitando uma melhor ação tática no campo de batalha. Apesar da afinidade entre os personagens não atrapalhar as cutscenes e o rumo da história, a escolha dos membros da equipe podem modificar um pouco alguns defechos de capítulos, ocasionando cenas exclusivas durante o jogo.

 
Seguindo o exemplo de jogos como S.O.C.O.M.4 e Rainbow Six (Tatical Shooters), que era preciso estipular toda a ação do seu time antes de partir para o ataque, Binary Domain conta com algo parecido, só que uma escala um pouco mais simples. A diferença é que esses comandos podem ser acionados com a sua própria voz (e um headset, claro), aumentando um pouco a interação do jogador e o jogo. Pelo menos essa era a ideia, afinal, você já gritava com jogos há muitos anos, só que nesse caso, ele escuta - e até responde em determinadas situações.
 
Os comandos são simples: "Yes", "Charge", "Blitz", "Good Job", "Regroup", "I Love You", o vocabulário disponibilizado pelo sistema de reconhecimento de voz é bem servido, porém, repleto de sinônimos. Estratégias complexas de invasão de flancos para a total aniquilação dos robôs são completamente ignoradas. E apesar de podermos calibrar o reconhecedor de vozes para melhor atender aos nossos propósitos, em certas ocasiões, alheias a vontade de qualquer um (IA ou nós mesmos), temos Dan chamando por Faye (a chinesa gata) sem um propósito válido, ou um "I Love You" jogado a esmo, para quem estiver mais próximo - é engraçado quando é para o Cain, um robô francês: "Possuo um vocabulário bastante extenso, mas ainda não consigo compreender todos as emoções humanas. Mas obrigado, mesmo assim".
 
Polido e refinado
 
A mecânica de jogo encontrada em Binary Domain não almeja perdurar na vitrine dos jogos mais criativos de todos os tempos. Ela pesca no óbvio, com um sistema de cobertura facilmente encontrado em jogos como Gears of War e Uncharted - apesar de não possibilitar o jogador a contornar cantos - e uma ação direta com tiros, recarregamentos de armas e muita munição. Talvez seja um palpite um tanto quanto aleatório, mas senti que a presença do produtor Jun Yoshino, da Sega, também produtor de Vanquish, acabou influenciando a equipe de Nagoshi para uma experiência um tanto quanto similar ao soldado acelerado da Platinum. É tudo muito rápido e fluido, deixando aquela sensação - sem o bullet time - de que você está na pele de um soldado das aventuras de Sam Gideon e precisa combater os robôs inimigos - que também são bastante parecidos com os encontrados por lá.

 
Um tiro na cabeça não resolverá sua vida, visto que os robôs de BD podem atirar mesmo sem enxergar. Tiros nas pernas ajudam a limitar a movimentação dos inimigos, mas é preciso uma finalização, caso contrário ele vai se rastejar e atirar até que você esteja no chão também. Aliás, quando isso acontecer, você tem duas opções: usar um med-kit do seu estoque ou pedir ajuda aos seus colegas de equipe (mas só vão ajudá-lo se eles disponibilizarem desses kits também).
 
Como disse anteriormente, o jogo é simples e não faz questão de não ser. A maior diferença está na equipe de produção e sua mentalidade em conciliar a ação dos jogos do gênero com aquela pausa para a história explicada em cutscenes e conversas entre os personagens. Você consegue notar realmente a equipe que também desenvolveu os jogos da série Yakuza nesse tipo de passagem, com uma Shibuya futurística que lembra muito Kamuro-cho e seus pubs proibidos para menores. É como se a qualquer momento, Kazuma Kiryu e toda a família Dojima pipocassem na tela como os próximos personagens selecionáveis.
 
Durante o jogo, você vai encontrar um Tóquio futurística desolada. Pelo menos uma parte dela, renegada por seu baixo poder aquisitivo, obviamente. Depois de uma brincadeira amigável com jetskis nos esgotos da cidade, é possível vislumbrar um pouco do que 2080 tem a oferecer. Robôs, paineis holográficos, gente ocupada com seus celulares, carros com piloto automático e todos os possíveis clichés de futuro dos filmes de ficção científica. A perseguição que acontece na Tomei (uma espécie de "23 de Maio" japonesa - e reparem nas aspas gigantes, por favor), a invasão de um trem do metrô local e a batalha contra o chefão dessa área são dignas de boas recordações.

 
Por falar nisso, as batalhas contra chefes são sempre épicas. Robôs gigantescos, aranhas cibernéticas colossais, tentáculos (claro), um cybertroniano que parece ter sido retirado do segundo filme dos Transformers (até o estilo Michael Bay de explosões está lá), todos indiferentes a tiros de metralhadoras, bazucas ou rifles de precisão. Cada um deles cheios de pontos fracos, mas sempre escondidos atrás de quantidades infinitas de metais. O sistema de relacionamento entre os personagens exerce sua função principal nessas batalhas, com seus companheiros lhe dando cobertura ou acatando seus comandos. Isso, claro, se você mantiver o bom relacionamento no grupo, caso contrário, eles simplesmente vão fazer corpo mole.
 
O modo online de Binary Domain está ali mais para cumprir tabela. Se não existisse algum, provavelmente íamos meter bronca pedindo alguma coisa para fazer valer a compra (como se todo o resto fosse insuficiente). Um co-op, um versus e o modo survival, e em todos eles você pode personalizar os atributos do seu personagem com os perks comprados durante o jogo (a nanotecnologia). 
 
Binary Domain passou batido por todo mundo. Pouco ou nada se falou sobre o jogo, a não ser sobre o seu criador, Toshihiro Nagoshi, pai de jogos tão distintos quanto Super Monkey Ball e Yakuza. Chegou simples, mas muito competente na parte de querer se firmar como uma nova possível franquia (ou você acha que não haverá um Binary Domain 2?). Ele vai te colocar para pensar sobre o que é, realmente, uma vida. São argumentos válidos para ambos os lados e, no final, só vai lhe sobrar o gosto amargo da incerteza. Ponto para a Sega e para o Yakuza Studios.

Binary Domain

8.5

Ótimo

Lançamento: 28/02/12

Produtora: Sega

Distribuidora: Sega

Jogadores: 1-4

Gênero: Ação, Tiro

DO QUE GOSTAMOS

Sistema de jogo eficiente
Trama cheia de reviravoltas
Comandos de voz

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Melee desajeitado
Sistema de cobertura falho
Inteligência artificial fraca
Autor da análise
Jefferson Kayo
Jornalista de joguinho e pseudo apresentador do Go! Game. Nutre em seu peito um sentimento de nostalgia para os botecos com fliperamas e do escambo entre um passe de ônibus e três fichas. Também acha que Smash Bros. não é jogo de luta.