DiRT Showdown
Codemasters arrisca e se dá bem com proposta de destruição
08/06/12 às 17:01 - Por Daniel Mello
PC Xbox 360 Playstation 3
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Quem diria que a Codemasters, famosa por simuladores como Race Driver: Grid e pelas séries F1, TOCA e o próprio DiRT, se renderia aos encantos do estilo arcade? Este dia chegou, e o resultado é surpreendente: DiRT Showdown mistura corrida e destruição da melhor forma possível e dá um merecido tempo naquele lance de simulador dos outros jogos do estúdio. Em Showdown, na maioria das ocasiões, nem vai ser preciso tirar o pé do acelerador.

O jogo não tem roteiro e nem alguma história babaca contando como os pilotos mais astutos do mundo resolveram se enfrentar em arenas e corridas onde vale tudo (menos dedo olho e xingar a mãe, claro). O modo principal, de carreira, tem quatro temporadas, cada uma com treze corridas, e funciona naquele velho esquema de terminar uma prova entre os três primeiros para abrir a próxima.

São três tipos de provas: Racing, Demolition e Hoonigan, cada uma com submodalidades. Na primeira, como o nome já adianta, o objetivo é chegar na frente dos outros competidores. No 8-Ball, a pista tem vários cruzamentos, e a graça ali é o jogador que está lá entre os últimos dar uma cacetada em quem está em primeiro justamente em um desses cruzamentos. Já o Eliminator é uma corrida normal, mas um cronômetro regressivo elimina o último colocado a cada quinze segundos. 

Nas Demolition, o lance é detonar os adversários para juntar pontos nos modos Knock-Out e Rampage, onde as provas rolam numa arena fechada. No interessante, Hard Target, o jogador entra na arena e precisa permanecer vivo ali até a barra de energia do carro (que, por sinal, existe em todos os modos) se esgotar. Já o Hoonigan lembra o modo Gymkhana de DiRT 3, em que o jogador precisa fazer truques com o carro ou percorrer determinado percurso no menor tempo possível.



Separado da carreira, o modo Joyride tem duas arenas enormes cheias de obstáculos e cada uma oferece 75 desafios, como pular com o carro por cima de uma grade, fazer alguma curva derrapando ou percorrer um trecho em um tempo pré-determinado. A primeira lembrança que vem à cabeça é da primeira leva de jogos da série Tony Hawk’s, com a diferença de que em DiRT Showdown não há tempo limite para executar as tarefas, tampouco é preciso completar todas de uma vez - se o jogador cumpriu cinco dos 75 desafios de uma das arenas, pode sair do jogo e voltar para tentar as outras mais tarde. Como elas também não precisam ser completadas na hora, o modo acaba sendo um atrativo muito bem vindo.

Quem é acostumado a DiRT vai sentir logo de cara que os carros são mais “leves” que nos simuladores, e muito mais fáceis de controlar também - não há opção de câmbio manual, por exemplo, e bater nos muros em curvas não necessariamente quer dizer que você ficará para trás, já que os traçados são estreitos e a inteligência artificial é bem programada o suficiente para fazer com que os oponentes briguem entre si com a mesma vontade com que enfrentam o jogador. 

A magia de DiRT Showdown é ser bom em absolutamente todas estas modalidades. O 8-Ball e o Eliminator trazem aquele elemento de imprevisibilidade, as corridas normais são rápidas e tão frenéticas que o rumo pode mudar a qualquer momento, e as arenas exigem um nível de habilidade gostoso de aprender. 

Ajuda o fato da escolha da trilha sonora ter sido das mais felizes, com uma mistura de breakbeats com rock pesado, e tudo da melhor qualidade. Tem Black Spider (com uma música que é uma das minhas favoritas de todo o jogo), The Qemists, Stanton Warriors, Far Too Loud (pura martelada na cabeça, para quem não conhece) e Felguk, entre outros - são 40 faixas classe A que tocam ali nos menus, durante e após as corridas.



E para quem vai jogar no PC, a boa nova é que o game não é muito pesado. A engine da Codemasters é muito bem otimizada e o jogo se dá bem mesmo em configurações modestas - em um teste com um humilde laptop com processador Intel Core i5 M460 e placa de vídeo nVidia GeForce 310M, deu para jogar a 720p numa boa, apesar de algum sacrifício na parte gráfica.

DiRT Showdown não revoluciona o gênero, mas é um game completo e muito, mas muito bom de se jogar, principalmente pela jogabilidade ser ajustada para divertir o jogador e não frustá-lo - é difícil ficar preso em algum obstáculo no caminho, por exemplo, e quando isso acontece o próprio jogo traz o carro de volta para a pista. A carreira é curta a Codemasters poderia ter incluído alguns extras, mas do jeito que veio, DiRT Showdown já é altamente recomendado.

Nota sobre o modo online:

Não conseguimos entrar nos modos online ou acessar a Racenet utilizando a cópia de Steam que nos foi cedida pela assessoria da Codemasters. Foram feitas várias tentativas de realizar a conexão, todas em dias diferentes, mas o jogo sempre retorna uma mensagem de “conexão recusada pela Racenet, tente novamente mais tarde”. 

A Codemasters descreve a Racenet como um “hub social” que traz desafios extras e todo um lance de competitividade entre jogadores, algo nos moldes do que a Electronic Arts oferece com o Autolog dos Need for Speed. Entramos em contato com a área de suporte da Codemasters, mas nenhuma resposta foi obtida até a publicação desta análise.

DiRT Showdown

8.5

Ótimo

Lançamento: 05/2012

Produtora: Codemasters

Distribuidora: Codemasters

Gênero: Ação, Corrida

DO QUE GOSTAMOS

Boa variedade de modos
Jogabilidade agradável e fácil

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Modo carreira é curto
Poderia ter mais extras
Autor da análise
Daniel Mello
Na PlayTV há dois anos. Ex-pro-player, fanático por Quake e FPS em geral, não suporta jogos freemium e nunca terminou Final Fantasy IV, mas encararia esse desafio se fosse com uma bacia de almôndega com cream cheese.