Dragon's Dogma
Encontrar seu coração não será nada fácil
20/06/12 às 20:19 - Por Jefferson Kayo
Xbox 360 Playstation 3
Prévia


Quando todos acharam que o teaser site com um dragão emblemático da Capcom fosse um novo Breath of Fire, eis que eles nos apresentam Dragon's Dogma. Mundo aberto, mecânica de combate excepcional, personagens carismáticos e uma história atraente, tudo isso foi prometido por Hiroyuki Kobayashi, produtor do jogo - que entre outros trabalhos, cuidou também de alguns clássicos da série RE, além de Devil May Cry 4 -, ao mesmo tempo que já avisava de antemão que não existiria uma campanha online. E nessa nova onda de RPGs ocidentais - encabeçados por Skyrim -, Dragon's Dogma se mostrou uma opção sensacional, mesclando o conceito japonês dentro de uma temática medieval clássica (ou quase) de forma bastante agradável.
 
Levante-se, Arisen
 
Depois de alguns minutos escutado a música tema da tela de abertura de DG, cantada pela banda B'z (Into Free -Dangan-), era hora de apertar o start e encontrar um prólogo pouco explicativo e enganador. Acontece que você começa o jogo - ao que parece - praticamente no fim da aventura de um escolhido. Sob a alcunha de Arisen, você e seus servos precisam adentrar uma caverna escura e ir de encontro ao Dragão misterioso - que dá uma palhinha da sua força durante o trajeto. No final da mini-dungeon, uma Quimera o aguarda. Derrotando ou não o monstro - e aqui vem a enganação, porque nesse prólogo, a gente realmente vai achar que o jogo é fácil -, você tem início à sua própria aventura, e é aí que o bicho começa a pegar.
 
Depois de montar seu próprio herói - com uma quantidade bastante aprazível de opções -, você precisa criar também a pessoa que vai acompanhá-la por todo o jogo. Chamados de servos, esses seres aceitam apenas serem comandados por pessoas como você, escolhidos desafortunados que tem uma missão à cumprir. Tudo pronto, é hora de recriar a lenda.
 
Aos jogadores que também apreciam séries de animes antigas, Dragon's Dogma carrega um pouco daquela aura medieval japonesa encontrada em The Record of Lodoss War, OVA do início dos anos 90 e que usava o estilo de narrativa japonês para sua história de bárbaros, elfos, magos e dragões. Se não o conhece, essa é a hora.
 
Continuando, somos apresentados a pacata vila de pescadores de Cassardis, no exato momento em que um dragão patrocina um churrasco gratuito na praia, com os moradores da vila, literalmente. Eis que o dragão resolve que você é um bom alvo para treinar uma magia secular (ou seria uma maldição?). "Roubarei seu coração e você deve vir buscá-lo, quando estiver pronto", diz a fera (mais ou menos, não decorei), enquanto abre seu peito com o mindinho e arranca o órgão pulsante, engolindo-o em seguida.

 
O ciclo é o seguinte: o dragão chega, escolhe a pessoa de maior virilidade (mentira, é a maior força de vontade), arranca seu coração e manda o cabra vir buscar se o quiser de volta. Durante a jornada, o jovem guerreiro - que fica sem coração, não morre e torna-se o "Arisen" - precisa transformar-se no novo "Seneschal" (derrotando o atual, claro). Se ele conseguir, dá fim à maldição. Se não, transforma-se no novo Dragão, partindo em busca de outro escolhido e assim por diante. 
 
No meio do caminho tinha uma pedra
 
Se existe uma coisa que aprendi com Dragon's Dogma é não sair depois de escurecer. Não, sério, parece brincadeira, mas não é. A dificuldade em realizar um traslado entre cidades depois que o sol se pões é multiplicada por mil. Não importa o seu nível de habilidade, você vai encontrar inimigos completamente diferentes durante a noite, mesmo se estiver no começo do jogo.
 
"Cara, sua mina foi procurar uma cura para a sua 'condição'".
 
"Mas para onde ela foi, truta?"
 
"Ela foi visitar a bruxa que vive na floresta super tensa e cheia de névoa. E você precisa ir resgatá-la"
 
"Ah, ok, vamos lá. Não parece ser tão complicado assim"
 
O diálogo não é exatamente esse, mas essa é uma das primeiras quests paralelas que o jogo lhe oferece. E amigos, foi nessa parte que fui obrigado a "dormir" fora de uma cidade pela primeira vez. Durante a névoa, na parte da noite, inimigos sobrenaturais, mortos vivos, bandidos (que não me deixavam passar nem por um decreto), lobos e goblins (os únicos que meus personagens sabiam enfrentar), tudo conspirando a favor do game over. Mas, é com orgulho que digo que sobrevivi, literalmente - tinha tão pouca energia que qualquer poeira no olho me mataria.
 
A ideia aqui é mais ou menos como se fosse um modo "Normal" de Dark Souls (já que ele só tem super hard para frente). Não precisamos ficar com medo de qualquer inimigo que cruze o nosso caminho, mas sim, se vacilar, dá para morrer facinho contra um inimigo mais fácil. A questão é puramente de 'timing' - se os enfrentar à noite, ou der o azar de cruzar o caminho de alguém após uma árdua batalha contra uma Quimera (que em NADA se parece com a do prólogo).
 
Essa questão de saber ou não como matar um inimigo vai além do simples 'guia de monstros'. É a mecânica que transforma Dragon's Dogma em algo particular, fazendo uso, principalmente, do 'quase-multiplayer' do game. Acontece que em DG, seu servo, aquele personagem criado logo no início do jogo, funciona como uma espécie de elo com os demais jogadores através de uma comunidade online de "locação" de servos.


 
Apesar de não existir um modo cooperativo, a mecânica do jogo foca, principalmente, como você organiza o seu time. A todo o momento você pode realizar pequenas mudanças no comportamento do seu servo, que é controlado através da inteligência artficial do jogo, adaptando-o às diversas situações. E esse servo criado por você fica à disposição a qualquer jogador que queira recrutá-lo, via PSN.
 
Guilda de NPCs
 
A conectividade dos jogadores em Dragon's Dogma se dá através do 'Pawn System'. Ao acessar o serviço - na forma de um bloco de rocha reluzente posto em guildas -, você pode escolher quem o ajudará na aventura. É possível utilizar ao mesmo tempo três servos, sendo dois "emprestados" de outros usuários. O sistema permite a utilização até de servos especiais, mediante o pagamento (Rift Crystal). Se forem do mesmo nível, não haverá cobrança, no entanto, se você quiser (tentar) facilitar um pouco a sua vida e contratar um guerreiro nível 100, o gasto pode chegar a mais de 1 milhão de cristais.
 
Mas para recrutar um bom servo, é preciso ficar de olho em todos os seus atributos, em especial, o seu bestiário. Se existe algo que facilita a sua vida no mundo de DG, é você andar com companheiros que saibam o que estão fazendo. O conhecimento de cada servo não precisa vir apenas das suas andanças pelo mundo, pode vir através da utilização de outros jogadores. E sempre que você salvar seu jogo dentro de uma guilda (descansando), você atualizará seus status, recebendo informações, itens e até notas por sua eficiência e, claro, aparência. O conceito é relativamente simples, mas modifica a experiência de uma forma que poucos RPGs conseguem.
 
À caça
 
O combate em Dragon's Dogma quase chega a transformar o jogo em um "hack'n slash de pensar". É tão fácil emendar combos, criar situações e espancar o inimigo, mas ao mesmo tempo, não é sensato sair feito uma vaca loca, usando a mesma estratégia em tudo que se mexe. Certos inimigos vão exigir da sua paciência até que aquele contra ataque mortal possa ser executado.
 
A questão é que o jogo é fluido no combate, não como um RPG, mas como um jogo de ação deve ser. Com a ajuda de combinações de botões, é possível utilizar cerca de 10 movimentos diferentes, variando entre ataques normais e especiais. E isso sem contar com a ajuda dos servos, que são direcionados com o controle digital (go!, help, come!). E esse combate é sua maior arma contra os demais representantes do gênero.


 
Para o sistema de evolução de classes de Dragon's Dogma, a palavra flexibilidade é a que melhor pode descrevê-lo. É possível trocar de classe sempre que desejar - ou tiver pontos de experiência para isso. Ao criar seu personagem, você precisa também escolher uma classe de combate para você e seu servo. Cada uma dessas classes trazem habilidades especiais que, mesmo trocando de classe futuramente, permanecerão vigentes no seu personagem.
 
A mobilidade de classes é um fator crucial para a melhor evolução do seu personagem. Cada uma delas possui habilidades que vão fazer falta no futuro. Ser um 'strider' por um certo período pode lhe proporcionar uma agilidade extra para subir montanhas, enquanto a precisão de um Arqueiro  será imprescindível para atingir o ponto fraco de um Ogro, utilizando-se da sua força extra como 'warrior'. É tudo uma questão de mesclar essas habilidades intrínsecas no seu personagem para atingir um melhor resultado.
 
Não se preocupe com pontos de magia. Aqui o negócio é a stamina. Ela ditará todas as suas ações. Escalar monstros, carregar companheiros inconscientes, disparar flechas especiais, ativar fetiços, tudo gira em torno da sua stamina. Ela se auto preenche com o tempo, mas é fácil da gente se descuidar e ficar à mercê do perigo, enquanto recuperamos o fôlego. A vantagem é que ataques comuns não diminuem seu fôlego, então abuse.
 
Apesar de estar constantemente ameaçado por grandes RPGs da atualidade (Skyrim, Dark Souls), Dragon's Dogma é mais do que bem vindo. É uma experiência diferente que, mesmo com conceitos parcialmente batidos, não peca em entregar uma experiência cheia de ineditismo com o sistema de aprendizado dos servos e uma mecânica exemplar para o combate. Um bom exemplo às novas franquias de jogos.

Dragon's Dogma

9.0

Ótimo

Lançamento: 27/03/12

Produtora: Capcom

Distribuidora: Capcom

Jogadores: 1

Gênero: Ação, RPG


Site oficial do jogo

DO QUE GOSTAMOS

Cenários fantásticos
Sistema de combate
Guilda de servos online

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Desenrolar lento da história
Poucos comandos para os servos
Autor da análise
Jefferson Kayo
Jornalista de joguinho e pseudo apresentador do Go! Game. Nutre em seu peito um sentimento de nostalgia para os botecos com fliperamas e do escambo entre um passe de ônibus e três fichas. Também acha que Smash Bros. não é jogo de luta.