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Gears of War: Judgment
Durante o E-Day, ajude o Esquadrão Kilo a limpar seu nome
16/04/13 às 17:06 - Por Makson Lima
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Talvez o maior peso nas costas dos caras da People Can Fly, que assumiram os comandos deste novo episódio da eterna batalha entre COG vs Locusts, não seja dar continuidade a uma das trilogias mais aclamadas da atual geração, mas sim fechar com chave de ouro o panteão de grandes lançamentos exclusivos para o Xbox 360. Sem sua cabeça pensante por trás do projeto (Cliff B., por que a careca?) Judgment conseguiria acrescentar algo ao já farto (continuamente farto) banquete finalizado com seu prato mais refinado, Gears of War 3?

Com a proposta de agregar as melhorias advindas no multiplayer de Gears 3 à campanha principal, a People Can Fly, conhecida por jogos completamente (ou quase) voltados para partidas competitivas, como Painkiller e Bulletstorm, aceitou o desafio, concretizando uma obra bem estruturada, mesmo que sem muitas novidades.

Tal qual God of War Ascension, que mais serviu como um declaração de “então, nós ainda pensamos na geração passada” do que para efetivamente trilhar a série a novos desafios, Judgment traz, num pacote fechado (que poderia perfeitamente se passar por DLC) um prólogo aos eventos da primeira iteração, mais modos de jogo e algumas implementações bem interessantes ao consagrado sistema atirar-se-proteger-correr-atirar.

E justiça para todos



A tela de press start de Judgment pode até incitar aquela vontade sempre latente de ouvir o icônico álbum do Metallica, mas os paralelismos param por aí, já que a história de Gears de uma forma geral – ainda mais se comparada as letras de tão icônico disco – nunca foi lá grandes coisas. Ao longo da trilogia, foi possível criar vínculos com alguns de seus personagens (no meu caso, mais com os Locusts), como da conturbada relação entre Marcus e seu pai, os problemas de superação de Dom e o passado glorioso de Cole Train, mas quem se importa com Baird? Soube tratar-se de um personagem bastante popular em alguns círculos, mas assumi-lo como protagonista e conduzir toda uma história acerca de um esquadrão sob seu comando nunca me pareceu boa ideia.

Mas, na verdade, estava enganado. Talvez por conta das expectativas estarem tão baixas nesse quesito, já que o arco da trama de Gears se fechou de forma aceitável com o fim da trilogia. Judgment acontece quatorze anos antes dos eventos protagonizados por Marcus Fenix e seu Esquadrão Delta. Estamos há poucos dias do evento mais catastrófico de Sera, o E-Day, dia este que marcou a emersão dos monstros que viviam no subsolo do planeta – os tão afamados e difamados Locusts – dando início a guerra que se estenderia por toda saga. Apesar da ameaça eminente, Baird, Sofia, Cole e Paduk – o Esquadrão Kilo – estão prestes a ser julgados por desacatarem uma ordem de seus superiores. Dentro desse tribunal, em meio a conflitos e mortes, os soldados serão postos diante os rigores da lei.

Divido em seis atos (sete, se levarmos em consideração o Aftermath de Gears 3), Baird e cia irão contar com detalhes o que houve no incidente envolvendo a utilização do armamento de destruição em massa Lightmass. Toda trama se passa em flashbacks, intercalando depoentes, logo, os personagens controlados. É interessante acompanhar o ponto de vista de cada membro do esquadrão, mesmo que estes fiquem apagados quando não protagonistas de um determinado ato. Além disso, ter a oportunidade de explorar alguns cantos nunca vistos do planeta é interessante, ainda mais se levarmos em consideração alguns deles ainda estarem intactos, coisa rara de ser vista numa série que se passa entre escombros e destruição. Como em Gears 3, os quesitos técnicos impressionam e algumas paisagens são luxuosas o suficiente para levarem de forma natural a uma exploração mais aprofundada.



Mas não se engane: Judgment em nenhum momento é tão épico ou emocionante quanto seus antecessores, em especial, Gears 3. E nem mesmo faz pretensão a isso. Talvez este seja um de seus trunfos, se apresentando na forma de um jogo mais arcade do que qualquer outro na franquia. Ainda assim, trechos questionam alguns apontamentos já vivenciados, como o fato de encontrarmos Wretches com imulsão logo no começo da campanha. Ora, Lambents não dariam as caras só depois da queda de Jacinto?

A parte proveitosa de controlar diversos personagens não passa de entendermos melhor quem são, seus propósitos por estarem ali e uma ou outra curiosidade ou peculiaridade de cada um – Cole Train é dono de uma adega, veja você. O ruim disso tudo é que não há efetivamente, em termos de controle, diferença alguma entre os personagens. Jogar com Sofia, uma jornalista-cientista-pragmática não traz nenhuma mudança a Augustus Cole, quarterback de Trashball maior que o armário da sua casa. Além de ser uma boa desculpa para o inevitável (e altamente recomendável) modo cooperativo para quatro jogadores, não há muito a se comemorar pelas novas possibilidades.

A trama de Gears, ao menos aos meus olhos, sempre chamou atenção por conta de seus vilões. Entre Skorge e o horroroso General RAAM, há muito a se odiar em cada beco escuro de Sera. Halvo Bay mantém o alto nível de bestialidade, mesmo que não apresentando quase nada novo em termos de aberrações – gosto do Rager, uma espécie de Berserker macho e menos parruda, mas é basicamente isso. Judgment traz um novo comandante às tropas recém-chegadas a superfície na figura de Karn, um monstrengo odioso que cavalga uma espécie de Corpser gigante – Shibboleth – e tem orgasmos múltiplos ao destruir cidades inteiras. Não vemos muito da criatura no decorrer da narrativa, mas saber de sua presença a cada citação de seu nome é o suficiente para incitar uma curiosidade mórbida acerca do que está por vir. No entanto, a Rainha Locust, Myrrah, antagonista central da trilogia, sequer é citada trama adentro.

Objection!



Gears of War 3 foi, sem dúvida, um dos jogos que mais me prendeu a esse vasto e maldoso mundo do multiplayer online que tento evitar copiosamente. Entre um modo e outro, sou sempre a favor de cooperar, justamente por isso o Modo Horda sempre será um favorito. Portanto, qual foi minha surpresa ao ter que realizar, dentro da própria campanha, uma espécie de modo horda roteirizado? De uma forma geral, todos os elementos incorporados ao vasto e rico multiplayer de Gears 3 – evolução por níveis, condecorações ganhas, análise de rendimento e desempenho armazenado – também estão no modo para um jogador de Judgment. O que isso traz de concreto para o jogo é que, completando a história, você já terá uma boa base para ingressar partidas online com respeito.

Ao iniciar cada seção (são sete por ato), será oferecido ao jogador a possibilidade de ingressar uma Missão Desconfidencializada. Como seu desempenho será avaliado o tempo todo, o objetivo principal em cada seção é completá-las com três estrelas, que são conquistadas realizando uma série de especificidades, como, por exemplo, eliminando Locusts em sequência com a serra elétrica da Lancer ou evitando ser abatido o máximo possível. Aceitar fazer parte de uma missão por dessegredar aumenta suas chances de alcançar o nível máximo – as três estrelas.

Dentro da narrativa, funcionam como se o depoente se lembrasse de um detalhe a mais da confissão, como por exemplo, uma incidência maior de Locusts poderosos na região por onde passavam ou pelo local estar coberto por um espessa camada de fumaça. No entanto, algumas são pouco criativas, como chegar do ponto a ao b em menos de alguns minutos. As melhores são aquelas que incluem intemperismos e pouca munição para armas específicas, forçando o jogador a experimentar um novo arsenal – mesmo que este não tenha recebido novas adições significativas (a excetuar as excelentes Markza e Booshka). A dificuldade, evidentemente, será acentuada a partir de então, mas a diversão também aumenta, já que o jogo traz um novo sistema de analisar a forma como o jogador estuda e aborda cada situação.



A princípio, é estranho notar as pequenas mudanças realmente significativas que Judgment traz a estrutura básica da série Gears. É evidente que o afamado sistema de atirar, correr, se acobertar e atirar mais um pouco se mantém intacto, mas é só experimentar alguns minutos nos controles para sentir as diferenças. Além de mudanças no mapeamento dos botões – as armas não mais são selecionadas no d-pad e arremessar granadas tornou-se mais prático – é na maneira que o jogo despeja ondas atrás de ondas de inimigos sobre o Esquadrão Kilo que faz toda diferença.

Morrer, mesmo que fazendo uso de uma satisfatória IA por parte dos membros de seu time, é parte inerente da jogatina – ainda mais nos modos Hardcore e Insane. No entanto, a cada nova investida, os inimigos não serão os mesmos. Caso você seja do tipo tanker, que gosta de correr para cima dos monstros bradando sua Lancer em alto e bom som, saiba que Boomers e Maulers estarão a sua espera, enquanto que, para os mais pacientes e parcimoniosos, Drones com Fatal Shots estarão em posições estratégicas, além daqueles Tickers insuportáveis que sempre revelam sua posição. De uma forma geral, essa “personalização” na maneira de lidar com as situações é o maior atrativo dentro de uma fórmula que pede por inovação, mas que não vê muitas margens para tal.

Sobrevivência

Mas o que importa mesmo para quem curte ouvir o ronco de uma Lancer sedenta por sangue Locust são os modos para vários jogadores. Muitas mudanças foram trazidas a Judgment e, enquanto é bom mudar, excluir opções é sempre a pior opção. A ponto que modos consagrados como matança com equipes e dominação de território continuam lá (com exceção do Execution, um dos mais aclamados e que deve chegar na forma de DLC), há o novo Free For All, frenético e insandecido como o próprio nome entrega, e os populares Horda e Besta de Gears 3 foram substituídos por Survival e OverRun.

Podem até dizer que a tentativa aqui não era superar seu antecessor, ou que foi o suficiente incluir na campanha trechos semelhantes ao forte apache que tanto divertia em Gears 3, mas fato é que quanto mais jogava nesses modos novos, mais tinha vontade de voltar para o jogo de 2011. Em Survival, cinco combatentes COGs devem defender um buraco Locust improvisadamente tapado de monstros que tentam libertar seus comparsas. O cenário já está devidamente fortificado, cabendo aos jogadores selecionar entre quatro classes ao início da partida ou após cada tombo. Não fugindo muito do que vemos às pencas por aí, como médico é possível arremessar granadas que recuperam a vida de seus camaradas (quando da especialidade de cada um, é questão de tempo para poder utilizá-la novamente), soldados compartilham caixas de munição, engenheiros consertam fortificações e posicionam turrets, e batedores acessam locais mais altos e arremessam sinalizadores para alertar a presença inimiga. Survival requer um real trabalho em conjunto para ser concretizado, já que os monstros são poderosos e as misturas de diferentes tipos – Kantus com Serapedes são demoníacos – tornam o desafio alto



Não há evolução para cada classe, uma vez que o nível dentro da estrutura do multiplayer é fator numérico puro e simples. Bom desempenho nas partidas concede ao jogador caixas de premiações – algo parecido com o que vimos em Mass Effect 3 – contendo experiência extra, novas roupagens para personagens e armamentos e outros agrados.

A simplicidade e efetividade dos já clássicos modos Horda e Besta não passam de lembranças, mesmo quando é possível, num híbrido bastante estranho, controlar Locusts a fim de destruir fontes de energia dos soldados combatentes. OverRun traz muitas características do Besta, sendo que, para controlar monstros mais poderosos, você precisa começar de baixo (wretches, drones, tickers) e executar o maior número possível de inimigos.

No todo, Gnashers continuam tão poderosas quanto antes, granadas são raras e usá-las de maneira precisa requer estudo e os cenários, que, por ora totalizam oito, são divertidos e muito bem desenhados. Judgment tenta, mas só tenta, ser um início para quem nunca experimentou a série antes mas, também no multiplayer, não vejo isso como possibilidade. Já existe quantidade suficiente de clãs formados por verdadeiros especialistas espalhados por todos os modos de jogo e ter uma iniciação por aqui me parece bastante difícil, mesmo sendo possível experimentar cada modo e cada mapa na companhia de diversos bots (e qual é a graça disso?).

Ainda não foi dessa vez.pt-br



Tentando manter uma evolução no que diz respeito a localização, Judgment traz, pela primeira vez na série, dublagens em português. A primeira impressão, o trabalho parece primoroso: a voz de Baird e, especialmente, a de Loomis soam perfeitas para o personagens, bem interpretadas e com sincronismo labial bastante satisfatório. No entanto, a disparidade tem início assim que Cole Train resolve falar qualquer coisa, mostrando que não houve nenhum tipo de esforço em manter as características e trejeitos já afamados pelo grandalhão na sua versão brasileira. Comparar as vozes e interpretações de Paduk, então, é simplesmente desonesto.

E as surpresas desagradáveis não param de acontecer jogatina adentro: neologismos do nível de um “bagarai” desvirtuam um fervoroso embate, além de não conseguirem traduzir de forma convincente aquele determinado momento da versão original. Palavrões aparecem aqui e ali, mas bastante atenuados quando do que se conhece da série. Enquanto a qualidade da tradução de textos escritos está boa, o problema se agrava quando a legenda não tem relação alguma com o que está sendo dito, como pode ser conferido logo no início, com um “descansar” sendo legendado para “missão cumprida”. O perigo que isso causa, como já foi comprovado em outras localizações como em Halo 4 ou Black Ops 2, é estarmos mesmo a par da história de forma íntegra, ou se alguma adaptação mudou de forma brutal o sentido daquela frase ou expressão. Tão problemático quanto isso é, em muitos momentos, ouvirmos vozes de personagens em inglês, em especial gritos de dor durante combates mais intensos.

De uma forma geral, houve uma evolução na escolha de dubladores. Sony e Microsoft tem se empenhado em trazer os jogos para nosso idioma, e tal atitude é admirável, mas é bastante visível o quanto de esmero e cuidado ainda é preciso ser colocado aqui. Espero do fundo do âmago chegar ao ponto de preferir jogar algo em português ao original, como prefiro fazer com muitas animações e desenhos animados. O Brasil ostenta a melhor dublagem do mundo e creio ser só questão de tempo para que tudo se adeque também aos videogames.

Com novidades tacanhas dentro de uma estrutura consolidada há tempos, Judgment pode não ser o ritual de iniciação a série que seus produtores almejavam, mas funcionará para quem já gastou centenas de horas nas iterações passadas e não se importa com mais do mesmo travestido. Mesmo que não ousando em nenhum aspecto e se mantendo fiel (até demais) as suas origens, temos em mãos um jogo divertido para ser curtido com amigos, mas que não agrega nada de realmente significativo a franquia como um todo.

Gears of War: Judgment

7.5

Bom

Lançamento: 19/03/13

Produtora: People Can Fly

Distribuidora: Microsoft

Jogadores: 1-16

Gênero: Tiro


Site oficial do jogo

DO QUE GOSTAMOS

Elementos do multiplayer agregados a campanha
Dificuldade de acordo com o modo de abordagem
Cenários ricos e luxuosos

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Poucas novidades significativas
Cadê o Modo Horda?
Localização ainda deixa a desejar
Sem o tom grandioso dos anteriores
Autor da análise
Makson Lima
Fã de jogos de terror e RPG japonês, é completamente maluco por cinema e rock'n'roll. Alfred Hitchcock e David Lynch são seus diretores do coração, mas não troca um filme de George Romero ou David Cronenberg por nada no mundo. Tem como séries favoritas Resident Evil, Shin Megami Tensei, Final Fantasy e, claro, Silent Hill. Acha crueldade demais fazer uma lista tão breve com os filmes de sua vida, além de detestar falar sobre si mesmo na terceira pessoa.