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Gravity Rush
Combata monstruosidades com a gravidade a seu favor
26/06/12 às 14:07 - Por Makson Lima
PS Vita
Notícias



Ainda é estranho para mim pensar que Gravity Rush é um jogo de Keiichiro Toyama, diretor do Team Siren e responsável por nada mais nada menos que duas das séries de terror mais importantes do mundo dos videogames: Silent Hill Siren. Por mais que este novo jogo tenha caído em minhas graças, o que eu queria mesmo era uma continuação para o tenebroso Siren New Translation de 2008.

Frustrações deixadas de lado, recebi Gravity Rush com os braços abertos e sorriso estampado no rosto, pois desde a primeira vez que o Vita foi apresentado ao mundo, este jogo em especifico foi aquele que se destacou para mim. Primeiro por ser uma nova franquia, e também por ter um visual em cel shading de encher os olhos.

Vale citar que, em entrevistas recentes, Toyama ressaltou que mesmo antes de dirigir as aventuras de Harry Mason por Silent Hill num longínquo 1999, ele já tinha em mente as mecânicas e premissas que fazem de Gravity Rush um jogo especial. E cabe a nós acreditar no cara, claro. Fazendo uso de uma jogabilidade única, Gravity Rush se destaca em meio a quantidade cada vez mais crescente de jogos de mundo aberto que vemos por aí. Mas, infelizmente, galgado ao gênero que se insere acompanham também todos os problemas que o assombram desde sua fomentação com GTA III.

Toque a maçã

É bastante visível que Gravity Rush nasceu como um jogo de PS3. Não que as funcionalidades do Vita não tenham uso, muito pelo contrário, mas ainda fica aquela sensação de “poderia estar curtindo tudo isso em uma tela maior”, assim como aconteceu com grandes produções exclusivas para portáteis, como Resident Evil Revelations FF VII Crisis Core. E, de fato, Gravity Rush começou seu desenvolvimento para PS3 e depois migrou para o Vita, quando este já estava consolidado como o verdadeiro sucessor do PSP. Apesar disso, diferentemente de outros lançamentos recentes que, por razões de jogabilidade, não se encaixam numa partida rápida no metrô - Kid Icarus se destaca aqui - Gravity Rush tem cuidados que todo jogo para portátil deveria ter.



Mas antes de mais nada, vamos ao enredo: após uma abertura sensacional, mãos dadas com a trilha sonora soberba do compositor Kohei Tanaka, especializado em animes e na série Sakura Taisen, tomamos o controle de Kat, a protagonista simpática e ingênua que não tem lembranças de seu passado. Kat está tão perdida quanto quem a controla, pois a cidade de Hekseville, onde o jogo se desenrola, não é nada convencional. Sua arquitetura, digamos, flutuante dá o tom para que os poderes especiais de Kat funcionem de forma plena.

Ainda bem no início, Kat encontra o segundo grande protagonista da história, o gato aspirante a Schrödinger, Dusty. Dusty não é um animal convencional, já que é possível observar o universo transpassado por toda sua superfície e este concede a Kat a capacidade de manipular a gravidade. Evidentemente que para haver trama deve haver um mal supremo assolando o mundo, e é aí que a dupla recém-formada dá as caras para salvar os habitantes de Hekseville dos monstruosos Nevi, criaturas disformes que surgem de tempestades gravitacionais e que só pensam em acabar com tudo.

Sem nenhuma recordação do seu passado e agora possuindo esses grandes poderes, Kat se vê na obrigação de salvar e cuidar dos populares indefesos, além de, aos poucos, tentar restituir a cidade já muito maltratada pela ação das malvadas criaturas.

A trama do jogo é contada por intermédio, principalmente, de passagens que lembram muito histórias em quadrinhos (alguém aí jogou Folklore?). Não por menos: toda direção artística de Gravity Rush foi feita tendo como inspiração as obras do renomadíssimo quadrinista francês Mœbius, e se você ainda não conhece a obra do cara, acho que já passou da hora. 



Por mais que os personagens de Gravity Rush sejam interessantes de se acompanhar (Kat é uma espécie de Goku feminina, com grandes poderes e uma doce ingenuidade) o enredo do jogo se desenvolve de forma muito instigante, porém com limitações. Temos um vilão forte em Alias (que me lembrou muito a figura de Joker em Persona 2 Eternal Punishment) e a aparição de Raven, uma outra shifter (termo usado para se referir a controladores gravitacionais) apimenta mais as coisas, mas a verdade é que somos deixados com muitas perguntas ao término da aventura. Normalmente, gosto de elipses propositais para que assim seja possível preencher tais lacunas com teorias, mas Gravity Rush é tão estranho em algumas propostas e personagens, que fica meio difícil fazê-lo.

Problemas na calibragem do seu cerebelo

Você pode preferir ir de carro, a cavalo ou até mesmo flutuando ou deslizando por cabos de força, mas tudo isso é porque você ainda não experimentou a manipulação gravitacional. Com o apertar de um botão, Kat flutua a poucos centímetros do chão e dois círculos surgem no meio da tela. Estes círculos indicam para onde você quer estabelecer a sua nova gravidade. Você pode movimentá-los tanto com o recurso giroscópico do Vita, quanto com a alavanca da direita. É fácil de usar, mas dominar seus comandos exige um pouco de dedicação.

Vale dizer que Kat não tem ventosas em seus pés, ou seja, ela não vai grudar em nenhuma superfície. O lance é todo gravitacional mesmo, tanto que, em muitas vezes, você só vai saber onde está a gravidade original observando a direção que os cabelos e cachecol de Kat apontam.

Não, você não pode fazer uso deste poder o quanto quiser, pois um círculo azul bem ao lado de sua barra de vida indica quando tempo você ainda tem para se divertir em qualquer direção. Tudo isso é meio difícil de explicar, mas em poucos instantes dentro do jogo a proposta é passada com muita precisão.

Não leva muito tempo para que você consiga desenvolver seus poderes e não ser escravo das limitações em batalhas ou em uma queda livre de dezenas de metros (mesmo que Kat nunca morra dessa forma). Recolher gemas preciosas pela cidade para, assim, evoluir Kat será uma tarefa extremamente agradável de ser realizada, já que a jogabilidade é nova e distinta o bastante.



Conforme o jogo progride, outros poderes muito úteis fazem parte do invetório da jovem heroína, e um dos mais interessantes é o Stasis. Se você curte Dead Space, já vai entender do que se trata. Com o apertar de um botão, Kat gera ao seu redor um campo de gravidade zero que faz levitar de pessoas a caixas de correio. O uso disto cabe tanto como opção para derrotar inimigos quanto para levar pessoas como balões de hélio pela cidade afora.

O uso destes recursos tão peculiares se faz presente também nas batalhas. Há uma variedade bem grande de inimigos, mas o mesmo não pode ser dito aos golpes de Kat. Sim, há poderes especiais, mas o que a garota faz ordinariamente é desferir um seqüência de chutes meio sem graça. É claro que você pode tornar tudo mais interessante, fazendo uso de voadoras anti-gravitacionais, arremessando frutas ou bancos nos monstros, ou até mesmo deslizando na superfície e finalizando com um belo Somersault Kick. A esquiva pode até vir a ser útil, e é executada esfregando seu dedo na tela na direção que quer que Kat vá, mas você não vai utiliza-la muito, já que a dificuldade do jogo é baixa e os inimigos não causam muito dano (além de haver muita energia espalhada mundo afora).

O legal mesmo é que os inimigos trazem pontos fracos que exigem de você uma certa tática na hora de exterminá-los. É bem motivador avistar um Nevi a dezenas de metros de distância de você e se direcionar até aquele olho pulsante em suas costas com uma voadora super poderosa e com a gravidade do seu lado, mesmo quando de cabeça para baixo e há quilômetros de distância de uma superfície plana. Mais legal ainda é sentir o poder do impacto do golpe. Destaque especial para as batalhas contra chefes, que sempre trazem um desafio extra no uso de táticas, e para os momentos onde Dusty, por um motivo ou por outro, se debilita tornando as coisas mais difíceis para Kat.

Nem Hekseville conseguiu escapar

Gravity Rush também conta com um sistema de moral interessante, porém raso. Como em todo jogo de mundo aberto que se tem notícia, há aqui uma considerável quantidade de missões paralelas para serem realizadas. Você pode procurar por elas a esmo ou marcá-las com um simples toque no mapa para ativar um rastreador com medidor de distância que guiará você até lá. Antes de entrar na missão em si, Kat restitui um pedaço da cidade que havia sido destruído pelos Nevi e, dessa forma, sua reputação se eleva, logo, o limite da evolução de seus poderes.



Infelizmente, as missões não passam do banal nos jogos deste estilo, não fugindo muito do “mate a quantidade x de inimigos no tempo y”, ou “vá do ponto a ao ponto b em w tempo”. Não fosse pela jogabilidade inovadora, eu teria passado reto por todas essas missões paralelas facilmente.

Além disso, alguns poderes de Kat não funcionam muito bem: a habilidade de deslizar por qualquer superfície posicionando os dois dedões nas extremidades inferiores da tela do Vita é impreciso e chato. Para movimentar a personagem para os lados, você deve literalmente usar o portátil como um volante, onde há até a possibilidade de pular com um brusco levantar do aparelho. Em alguns momentos fui forçado a usar deste recurso, mas, caso pudesse escolher, o deixaria de lado sem dúvida.

Mesmo com um sistema de auto save bastante eficaz e que faz jogar Gravity Rush pelos caminhos da vida um deleite, alguns loadings são bastante demorados, chegando ao ponto de incomodar bastante. Caso você realmente curta o jogo, vai querer conseguir medalha de ouro em todas as missões possíveis, logo irá se frustrar ao notar que não existe uma opção de retry. O jeito é sair da missão e entrar de novo ou esperar o tempo acabar. Com telas de loadings demoradas no processo.

Um ponto que sempre critiquei e sempre irei criticar em jogos de mundo aberto é a não funcionalidade da coluna vertebral da história. Sim, Red Dead Redemption é um jogo de mundo aberto e traz uma das tramas mais incríveis que já vi em videogame, mas é ridículo não haver a necessidade do personagem em realizar feitos em momentos imediatistas dos acontecimentos. O mesmo acontece aqui: a cidade pode estar vindo abaixo por uma invasão de Nevi gigantes e você só iniciará essa missão primordial para o desenvolvimento da trama se chegar até aquela marcação vermelha do mapa, mas nada impede que você vá caçar umas gemas ou vá realizar alguma missão antes.

Pormenores a parte, Gravity Rush traz muito mais atrativos do que contras. Artisticamente belo, com uma jogabilidade precisa e viciante, Keiichiro Toyama e seu time de malucos mostraram que são capazes de grandes feitos em jogos com uma proposta menos tenebrosa. Se a parte gráfica do jogo não for o bastante para chamar sua atenção, tenha em mente a certeza de que o sistema gravitacional criado funciona muitíssimo bem. Espero de coração que este jogo se saia bem em vendas e que uma continuação seja anunciada em breve, pois há muitos buracos para serem tapados na trama de Gravity Rush.

Gravity Rush

8.0

Ótimo

Lançamento: 22/02/12

Produtora: SCE Studios Japan

Distribuidora: SCE

Jogadores: 1

Gênero: Ação


Site oficial do jogo

DO QUE GOSTAMOS

Jogabilidade inovadora e instigante
Quesitos técnicos impressionantes

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Missões paralelas chatíssimas
Alguns loadings podem incomodar
Autor da análise
Makson Lima
Fã de jogos de terror e RPG japonês, é completamente maluco por cinema e rock'n'roll. Alfred Hitchcock e David Lynch são seus diretores do coração, mas não troca um filme de George Romero ou David Cronenberg por nada no mundo. Tem como séries favoritas Resident Evil, Shin Megami Tensei, Final Fantasy e, claro, Silent Hill. Acha crueldade demais fazer uma lista tão breve com os filmes de sua vida, além de detestar falar sobre si mesmo na terceira pessoa.