Lollipop Chainsaw
Romance, hack and slash e muito sangue cor-de-rosa
25/06/12 às 19:20 - Por Julianna Isabele
Xbox 360 Playstation 3



Um jogo sobre uma líder-de-torcida gostosa que chupa pirulitos de forma sugestiva não é para qualquer um. Tem um selinho, na capa do jogo, indicando que a idade mínima para colocar Lollipop Chainsaw no seu videogame é de 17 anos. Aparentemente, a maturidade para lidar com Juliet Starling e seus pirulitos vai além da faixa etária. Não me entendam errado: como mulher, assim como Juliet, também "uso a minha vulva com orgulho", só que não preciso ser hipócrita por conta do que eu tenho entre as pernas.

É muito fácil rotular Lollipop Chainsaw como produto de uma sociedade sexista. O marketing do jogo inteiro foi focado nesse ponto, mostrando como Juliet poderia matar zumbis usando só um biquíni, tendo direito até a cosplayers trazendo a versão real da moça para a mente dos menos criativos. Antes de jogar, Lollipop Chainsaw realmente soa babaca e sem pudor - no jeito ruim. A parte boa é que, depois de começar, já dá para perceber que ele continua com o mesmo jeitão babaca e sem pudor, só que na melhor maneira possível.

Acredito que a maturidade que a aventura de Juliet Starling exige não é bem sobre entender as mensagens secretar por trás do enredo ou algo nessas linhas. Desde o início, tudo que o jogo oferece está bem ali pra você ficar olhando. Os peitos da protagonista. O sangue rosa dos mortos-vivos. A voz estridente de uma adolescente típica e tão sem cérebro quanto os zumbis. E então, por outro lado, temos uma história descompromissada, recheada de referências a cultura pop, uma história de amor digna de fazer qualquer filme trash ter qualidade o bastante para se tornar uma lenda e, por último, uma mecânica hack and slash deliciosa de aprender. Lembram de como fingir uma masturbação com o Wii Remote era legal em No More Heroes? Não é preciso levar Lollipop Chainsaw mais a sério do que isso.

Amor com uma pitada de puberdade

Como pano de fundo para os litros de sangue rosa que você vai enxergar, a produção do sempre bizarro Suda51 e do diretor do longa Slither, James Gunn, conta com o colégio norte-americano San Romero. A protagonista do enredo, Juliet Starling, é uma animadora de torcida dos San Romero Knights, time de sua escola. Preocupada com o tamanho da sua bunda que está, tipo assim, "super gorda", Juliet precisa encontrar seu namorado, Nick, para comemorar seu aniversário de 18 (ufa!) anos em grande estilo. Ao chegar em seu colégio, a heroína acaba se deparando com uma San Romero infestada de zumbis, precisando ir em busca de Nick e checar se está tudo bem com o coitado.



Ao finalmente encontrar seu amado, Juliet dá início a um papo emocionado sobre amor com Nick, que acaba defendendo a mocinha de um morto-vivo birrento que aparece na hora errada, sendo mordido sem querer. Para resolver a situação e não perder seu namorado para os mortos, Juliet arranca a cabeça de Nick fora, em um ato desesperado. Nesse momento, Juliet é obrigada a contar para seu querido que, na verdade, ela é uma caçadora de zumbis de carteirinha, vinda de uma família especialista no ramo e justifica alguns rituais (como o próprio ato de manter seu namorado sem cabeça vivo) com todo o minimalismo que a palavra "mágica" possa oferecer.

Nick será usado como uma espécie de chaveirinho por Juliet durante a aventura da protagonista. A relação entre os dois é bem semelhante a dinâmica de Garcia e Paula de Shadows of the Damned, outro dos títulos de Suda51. Parece bem bobinho e pré-adolescente de início, mas o namoro de Juliet e Nick se prova um dos pilares mais funcionais da estrutura de Lollipop Chainsaw, trazendo diálogos ácidos para não exagerar no sentimentalismo que só dá as caras no final da história.

Bayonetta já está preparando sua roupinha de cheerleader

Usando dois botões para ataques com a motoserra decorada com corações e um botão para acrobacias, a mistura de combos de Juliet varia entre ataques balanceados, focados em força e outros de área, tendo como base cobrir o maior espaço o possível. O uso variado dos combos é necessário em diversas situações, como na hora de afastar zumbis equipados com bombas ou conseguir detonar as animadoras de torcida mortas-vivas, que possuem excesso de elasticidade em seus corpos.

Como manobra para escapar do consequente tédio do excessivo apertar de botões, Lollipop Chainsaw empregou diversos quick-time-events entre as sessões de puro arrancar de cabeças. Utilizando a cabeça de Nick em um corpo decapitado encontrado por aí, será preciso apertar uma sequência correta de botões para completar certos objetivos. Ao topar com uma cama elástica, Juliet terá que chegar ao ponto mais alto dos lugares utilizando a mesma mecânica.

Dificuldade não é um problema real em Lollipop Chainsaw no modo de dificuldade normal e, para as partes mais recheadas de zumbis, algum artefato como um pole dance para Juliet cortar seus inimigos da maneira mais escrachada possível ou um modo de invencibilidade, semelhante ao Devil Trigger, de Devil May Cry, estarão presentes. A câmera pode ser movida nos ambientes abertos, decisão feliz de design, mas que consegue atrapalhar de qualquer maneira em sessões mais fechadas, como corredores, em que ângulos exagerados poderão atrapalhar na hora de enxergar os cenários por completo.

Matando zumbis com estilo



Por mais que a jogabilidade tenha trechos de diversidade, não recomendo jogar Lollipop Chainsaw à exaustão. Os estágios tendem a serem bem extensos e podem soar meio sem objetivo e saturados demais quando se tenta absorver tudo de uma vez só. É meio que como jogar um título em um arcade, aproveitando o jogo aos pouquinhos e descobrindo cada trecho com o mesmo ânimo. Com poucas fases, Lollipop Chainsaw ainda conta com um número considerável de colecionáveis, que variam entre tipos de pirulitos e mensagens no telefone da protagonista, que podem ser obtidos tanto no modo história quanto no modo raqueado, que possui uma pontuação global.

O enredo de Lollipop Chainsaw é contado por meio de cut-scenes que variam entre o uso do próprio motor gráfico do jogo e de quadrinhos no estilão anos 80, feitos pelo singular NekoshowguN e seu traço sexy e sádico. A trilha sonora traz músicas como Hey Mickey, de Toni Basil, adicionando um clima mais sarcástico ainda a ambientação já forçada do jogo. Os chefões, que pontuam o final de cada estágio trazendo os lordes do Rock And Roll, tiveram sua trilha composta por Jimmy Urine, vocalista da banda Mindless Self Indulgence, que conseguiu aumentar ainda mais o clima surreal das batalhas de proporções mirabolantes que Juliet enfrenta.

Para conseguir engolir Lollipop Chainsaw é necessário se deixar descontrair. É como contar piada de mãe. Se você só falar o quão gorda aquela mãe do seu amigo é, não tem graça nenhuma. Constar que ela é gorda em uma comparação com o boneco da Michellin é onde mora a grande arte da piada. Caçar zumbis com Juliet é uma atividade cômica e despretensiosa, embalada em um pacotinho com arte impecável e jogabilidade quase que perfeita - uma embalagem que fica ainda mais saborosa quando bem aproveitada.

Lollipop Chainsaw

9.0

Ótimo

Lançamento: 2012

Produtora: Grasshopper Manufacture

Distribuidora: Warner Games

Jogadores: 1

Gênero: Hack and Slash


Site oficial do jogo

DO QUE GOSTAMOS

Enredo original
Trilha sonora de primeira
Mecânica oferece variedade de combos
Arte única das cut-scenes
Número de colecionáveis

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Câmera pode atrapalhar em alguns trechos
Autor da análise
Julianna Isabele
Estudante de design de produto e modelagem 3D nas horas vagas, a dona da coluna Sandbox é a favor dos jogos como forma de expressão artística. Considera uma grande baboseira a maioria dos jogos que focam em gráficos realistas - mas vejam bem, sem generalizações. Exímia jogadora de Katamari, é o tipo de pessoa que prefere jogar no Easy sempre que possível.