Mortal Kombat (Vita)
Boa conversão veio com DLCs e 150 desafios extras
21/05/12 às 17:54 - Por Daniel Mello
PS Vita
Prévia
Galeria



Converter um game de console para portátil é umas das táticas que as publishers usam para tirar um trocado a mais - o jogo tá ali, prontinho, e só precisa de um tapa a mais e uma ou outra novidade para justificar o preço. Mortal Kombat para PS Vita é exatamente isso - trata-se do mesmo Mortal Kombat Komplete Edition que saiu este ano para Xbox 360 e PS3 (e isso quer dizer que ele vem com todos os personagens e roupas disponibilizadas por DLC, incluindo Freddy Krueger), mas com 150 missões extras na torre de desafios. É muito conteúdo de uma vez só, e olha que o game original já era muito bem servido, como nós já havíamos falado na análise que saiu ano passado.

Na transição para o portátil, a NetherRealm se esforçou bastante, mas logo de cara dá para perceber que a modelagem dos personagens perdeu um pouco de qualidade, principalmente quando a luta acaba e a câmera dá um close no vencedor - algumas texturas são muito, mas muito feias. E há algumas quedas de taxa de quadros por segundo (principalmente durante a execução dos X-Ray Moves e de alguns fatalities) que também não eram perceptíveis nas versões de console. Dá para se acostumar, porque chega uma hora que o jogador obviamente sabe exatamente em quais momentos vai rolar a lentidão.

De resto, a conversão foi muito bem feita: o som continua nítido e cristalino (recomendo o uso de bons fones de ouvido, por sinal, porque a parte sonora é muito boa) e as transições entre lutas e cut-scenes no modo história são tão rápidas que às vezes nem parece que tem load time ali. Menus e opções continuam iguais às das versões de console.

Dedo na tela, novinha

A maior novidade de Mortal Kombat para PS Vita é a nova Challenge Tower, que vem com 150 desafios extras. Juntando com os 300 remanescentes do MK de console, são nada menos do que 450 fases. Detonar mísseis do Sektor com toques na tela é bem divertido (e desafiador, em boa parte dos challenges) e como a torre tem 150 níveis, dá para divetir a galera que já não tem mais o que fazer nas versões de Xbox 360 ou PS3. Todos os desafios são bem variados e com ideias muito boas - em um outro deles, cada golpe desferido faz o sangue jorrar na tela, e o jogador precisa “limpar” a área com os dedos para conseguir continuar vendo a luta, por exemplo.

Não há como dar menos importância para o novo Challenge Tower: depois de terminar o modo Story, é o que sobra para fazer na fila do banco ou ali na poltrona do Starbucks. Existe multiplayer, mas como exige uma conexão wi-fi minimamente decente, não dá para confiar que ele esteja disponível em lugares que não sejam a própria casa do jogador. Mas é aquela coisa: a torre de desafios está ali para justamente lembrar o jogador que ele tem muito mais o que fazer do que ficar enfrentando humanos por aí.



O bom é que é mais do mesmo

O fato é que eu gosto de Mortal Kombat, e adorei o MK do ano passado. É um jogo acessível e que diverte bastante mesmo que o jogador não seja entendido de jogos de luta - os combos são fáceis de decorar, a essência do layout dos botões é basicamente a mesma há quase duas décadas e os golpes especiais e fatalities geralmente têm comandos simples. É bom para jogar com aquele priminho que sai apertando os botões loucamente. Ele pode até perder, mas vai se divertir bastante no meio do caminho.

Vale a pena relembrar também como funciona o modo Story: o jogador vê o desenrolar da treta toda e vai jogando com todos os personagens conforme eles vão aparecendo na trama. Bom para deixar  a preguiça de lado e descobrir como funciona cada lutador, em de ficar ali só apelando com o Scorpion (que, por sinal, é ótimo para enfrentar aquele priminho do parágrafo anterior). Como a historinha é bem legal, a tal campanha acaba sendo um deleite, mesmo para quem vai jogar pela segunda ou terceira vez.

De resto, continua o mesmíssimo Mortal Kombat que saiu em 2011. Para quem faz questão de ter o game na palma da mão, vale muito a pena, mesmo com aquela sensação de “eu já joguei tudo isso aqui antes”.  Como veio em um pacote cheio dos extras que foram cobrados à parte nas versões de console, a sensação é que Mortal Kombat entrega muito mais pelo preço que é cobrado por ele. 

Mortal Kombat (Vita)

9.0

Ótimo

Lançamento: 2012

Produtora: NetherRealm

Distribuidora: Warner

Jogadores: 1-2

Gênero: Luta

Autor da análise
Daniel Mello
Na PlayTV há dois anos. Ex-pro-player, fanático por Quake e FPS em geral, não suporta jogos freemium e nunca terminou Final Fantasy IV, mas encararia esse desafio se fosse com uma bacia de almôndega com cream cheese.