Resident Evil: Chronicles HD Collection
Reviva os melhores spin-offs da série Resident Evil no PS3
03/07/12 às 17:06 - Por Makson Lima
Playstation 3
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É impressionante pensar que estamos no meio do ano e já foram lançados dois jogos inéditos para a tão afamada série de aberrações genéticas da Capcom, Resident Evil. Como se não fosse o bastante – e já considerando que estamos há poucos meses do lançamento de RE6 – a detentora dos direitos do robozinho azul mais simpático do mundo está nos agraciando com o relançamento de mais dois jogos da franquia: Resident Evil: The Umbrella Chronicles e Resident Evil: The Darkside Chronicles.

Lançados originalmente para Wii em 2007 e 2009, respectivamente, temos aqui versões em HD dos melhores spin-offs da série desde sua criação. Sim, eu sei que isso não quer dizer muita coisa (e temos o recente Operation Raccoon City aí para provar meu ponto), mas fato é que dois jogos muito divertidos, e que passaram batido por muita gente, agora estão disponíveis para compra na loja virtual do PS3. Nada de Xbox LIVE.

Por US$ 26,99 no bundle ou US$ 14,99 em cada um, você será dono daqueles que provavelmente são os jogos de tiro sobre trilhos com mais conteúdo, replay e profundidade já lançados. Sem exagero: os fãs de RE vão encontrar tanta coisa nesses dois títulos que provavelmente se verão jogando daqui alguns anos do lançamento. Digo isso com propriedade de causa, porque eu faço isso com as versões de Wii e sem dúvida me vejo fazendo o mesmo mais uma vez. Porque, sabe como é, não existe empresa que consiga fazer você gastar dinheiro com o mesmo jogo tantas vezes (talvez a Square Enix, mas daí já é outra história...).

Albert Wesker quer você!

Caso você nunca tenha jogado nenhuma das crônicas desta coleção, então essa parte do texto é feita especialmente para você. Umbrella Chronicles (UC) traz eventos sintetizados de RE0, REmake e RE3, além de um capítulo novo na saga, que é considerado como canon pela Capcom. Tal capítulo desenvolve os heróis Jill Valentine e Chris Redfield acabando com uma sede secreta da Umbrella nos confins da Rússia. Darkside Chronicles (DC) tem como trama principal o período em que Leon Kennedy e Jack Krauser uniram forças para investigar a incidência de armas biológicas na América do Sul, desenvolvendo portanto o passado que fora citado por Krauser em RE4. Intercalando-se a este enredo, revivemos RE2 e RE Code:VERONICA nas mesmas condições dos outros jogos das crônicas anteriores.



Usei a palavra “sintetizados” ali atrás porque realmente houve uma condensada nos acontecimentos dos jogos nestas versões, mas a realidade é que muita coisa foi alterada mesmo. E ouso dizer que, em alguns casos, a mudança ficou ainda melhor. Você vai concordar comigo ao enfrentar a versão monstruosa de Steve Burnside ou então ao reviver o embate do século contra William Birkin. O legal mesmo é que, além disso tudo, existe em Umbrella Chronicles alguns capítulos extras muito interessantes. Jogar como Wesker minutos depois dele ser empalado vivo por Tyrant é dos grandes chamarizes do jogo.

A jogabilidade é aquela velha de guerra do gênero que você conhece bem: tudo é visto numa perspectiva em primeira pessoa e você controla uma mira flutuante enquanto é levado de forma automática pelos cenários. Um verdadeiro passeio no trem fantasma, já que sempre há a intenção de causar uns sustos com aquele Hunter pulando bem no meio da sua cara.

De uma forma geral, os controles foram melhorados em DC, pois há um inventório próprio e a possibilidade de personalizar as armas para cada direcional do dpad. Além disso, você pode estocar ervas medicinais e usá-las quando desejar, diferentemente de AC, que são utilizadas ao serem encontradas.



Em UC, ainda é possível movimentar de forma bastante limitada o olhar do personagem, condição útil para conseguir aquele item que você deixou escapar. Mas tal recuso se mostrou tão inválido, que foi excluído de DC. A verdade é que nesse tipo de jogo você cansa tanto os dedos martelando o botão de atirar, que usar a mão esquerda para outro propósito que não dar auxílio para a pobre e cansada mão direita, não faz sentido.


O que há de diferente de The House of the Dead ou Time Crisis, por exemplo, é a quantidade absurda de colecionáveis espalhados pelo cenário. Acertando caixas, lâmpadas, vasos, cadeiras e mais um sem fim de coisas (os cenários são realmente bastante interativos), você encontrará, além de munição e itens de cura, arquivos que contém informações interessantes de criaturas e personagens da série. Conseguir todos tomará muito do seu tempo, mas as fases são tão divertidas que você não irá resmungar ao visitar os mesmos estágios várias vezes.

Outro diferencial diz respeito à possibilidade de evoluir suas armas com estrelas de ranking, no caso de UC, ou com dinheiro adquirido nos cenários, no caso de DC. Todas as fases podem ser aproveitadas num modo co-op que, infelizmente, só pode ser local. No Wii não era possível jogarmos com um amigo online e o mesmo problema acontece aqui. Mancada das brabas.

Experimentar o jogo com o Move torna tudo muito mais preciso e prazeroso, mas é uma vergonha não haver a possibilidade de utilizarmos o Move Sharp Shooter. Vergonha maior ainda se pensarmos que o Zapper do Wii tornava o jogo ainda mais divertido. 



E o HD do título?

Que a Capcom fez um excelente trabalho na conversão destes dois títulos para o PS3, isso é incontestável. Os gráficos estão mais cristalinos do que nunca, além das cores estarem mais vivas. UC e DC eram impressionantes no Wii e senti um prazer mórbido dentro de mim ao me impressionar mais uma vez com os belos cenários totalmente modelados em 3D da mansão de REmake e da delegacia de RE2, por exemplo. No entanto, por razões óbvias, as texturas parecem mais datadas, além dos modelos em 3D, que possuem uma movimentação bem quadrada, exatamente como antes. Em compensação, nem mesmo nas cutscenes e nos momentos de QTE há qualquer modificação de dimensões da imagem, como aconteceu em Devil May Cry HD Collection.

Por mais entusiasmado que eu possa parecer descrevendo essas crônicas especiais de RE, a crua e dolorosa verdade deste relançamento em HD é a seguinte: não existe nenhum extra por aqui. Absolutamente nada. Nem mesmo uma galeriazinha de arte safada como aquela presente em DMC HD Collection. Portanto, caso você já tenha jogado as versões de Wii, não há motivo algum para experimentá-las novamente. Considerar como algo a mais o suporte a troféus e a inclusão de um Leaderboard para semear a competição e discórdia mundial não faz muito bem tipo, mas isso talvez chame sua atenção.

Foi uma bela sacada da Capcom em trazer estes dois títulos menos populares de sua franquia mais rentável ao PS3. Ao menos assim muita gente que deixou de conferir os jogos de Wii vão poder, pela primeira vez, se esbaldar com os cenários de RE2 e RE3 pela primeira vez em gráficos 3D belos e detalhados. Porque, convenhamos, Operation Raccoon City não deu conta desse recado e deixou todo fã com um gosto extremamente amargo na boca.

Resident Evil: Chronicles HD Collection

8.0

Ótimo

Lançamento: 26/06/12

Produtora: Capcom

Distribuidora: Capcom

Gênero: Ação, Horror, Tiro

DO QUE GOSTAMOS

Port perfeito das versões de Wii

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Nenhum extra
Não há co-op online
Autor da análise
Makson Lima
Fã de jogos de terror e RPG japonês, é completamente maluco por cinema e rock'n'roll. Alfred Hitchcock e David Lynch são seus diretores do coração, mas não troca um filme de George Romero ou David Cronenberg por nada no mundo. Tem como séries favoritas Resident Evil, Shin Megami Tensei, Final Fantasy e, claro, Silent Hill. Acha crueldade demais fazer uma lista tão breve com os filmes de sua vida, além de detestar falar sobre si mesmo na terceira pessoa.