Saint Seiya: Sanctuary Battle
Queimando o Cosmo até o último pixel
22/06/12 às 14:06 - Por Jefferson Kayo
Playstation 3
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Sou daqueles que viu os Cavaleiros do Zodíaco surgirem na extinta Rede Manchete, em 1994. Lembro também que quase desisti de assistir quando aquela música começou a tocar "Os guardiões, do Universo..." - e demorou alguns anos (2) até me deparar com a abertura original da série, um clássico até hoje. Ficava triste por não existir nenhum jogo de videogame decente com Seiya, Shiryu, Ikki, e os demais Cavaleiros - os anos 90 foram conhecidos pelos jogos de luta, e não existia um joguinho sequer de CDZ do gênero. Não sou um daqueles super nostálgicos que colocam a série como a melhor obra que já tiveram a chance de conhecer, mas entro no hype sempre que um jogo deles é anunciado. Os Cavaleiros do Zodíaco - Batalha do Santuário chega com exclusividade ao PS3, abandonando o estilo consagrado no PS2 para uma investida mais abrangente. Ou quase isso.
 
Sozinho contra o mundo
 
Os Cavaleiros do Zodíaco - Batalha do Santuário segue aquele estilo criado pela Koei - e utilizado pela Capcom também -, o qual um herói enfrenta um exército, sozinho. "Mas que droga, desde quando os CDZ enfrentavam seus inimigos assim?", vi pessoas reclamarem. Por alguma razão, a Dimps resolveu desistir da pancadaria 1x1 e apostar suas fichas nesse novo gênero. Hokuto no Ken passou por isso, One Piece também. Até Naruto tem seu jogo misturando elementos de RPG para a campanha de um jogador, por quê não, CDZ?
 
Apesar dos clichês, não é tão fácil fazer um jogo nesses moldes. Prova disso é que CDZ aparece cheio de pequenos problemas que poderiam ter sido evitados durante o desenvolvimento. A falta uma câmera móvel e de uma mira travada no inimigo, por exemplo, faz com que muitos dos seus golpes sejam disparados a esmo, acertando apenas um ou dois inimigo. E para um jogo desse tipo, um desperdício sem tamanho.
 
Desculpe o jargão, mas a certeza de que o game vai agradar apenas aos fãs é pontual. Ele não é tão polido quanto os lançamentos mais recentes do gênero, seja um Sengoku Basara 3 ou Dynasty Warriors 7, e apesar da grande quantidade de personagens, de missões e desafios extras não faz jus ao elenco. Isso porque você vai precisar se preocupar com nada além de apertar repetidamente um botão. Não será preciso defender uma posição, buscar um item especial, apostar corrida contra o relógio. Até temos uma ou outra história complementar - como a de Aioros -, após o término da campanha principal, mas muito foi deixado de fora.
 
O tempo está acabando

 
"Apressem-se, Cavaleiros de Athena", era uma das frases que mais ficou gravada na cabeça dos fãs de CDZ. Também, viviam correndo atrás das coisas, esses meninos, hora salvando Athena, hora também salvando Athena. Ok, eles salvavam DEMAIS a deusa em forma de menina delicada. Durante o jogo será basicamente a mesma coisa, mas agora você controlando os passos dos seus heróis - e aviso desde já, mesmo os controlando, você vai ter que deitar o Shun e o Hyoga juntos, aff...
 
Existe uma quase pressa em retratar algumas passagens da saga durante o jogo. É como se não houvesse muito tempo para os diálogos assistidos. Ou então, prefiro pensar assim, os desenvolvedores optaram por colocar toda a dramaticidade da saga nas batalhas, naquelas conversas que acontecem durante o estágio. Mas assim, o conceito é bom, mas o tiro meio que saiu pela culatra, já que quando estamos martelando o botão, essas conversas passam quase despercebidas, mesmo com as legendas em português aparecendo na tela. Prestar atenção na legenda e nos inimigos, tudo ao mesmo tempo, é complicado.
 
Com isso, as cutscenes ficaram pobres de conteúdo. À exemplo dos jogos de Naruto - e sim, é preciso citá-lo porque todos deveriam aprender com a série da Cyberconnect2 -, poderiam existir mais cutscenes entre os embates principais, com os Cavaleiros de Ouro. É muito legal quando você escuta a Marin lhe dando dicas sobre como derrotar a postura de combate de Aldebaran, mas passa tudo tão no cantinho - literalmente - da tela que a emoção fica lá embaixo. Todas as lutas estão lá, mas é só o que encontramos.
 
Treinamento é fundamental
 
Além desse pequeno contratempo com a narrativa do jogo, focando mais precisamente na diversão em si, a mecânica de combate de CDZ entrega um divertimento simples e satisfatório. Durante a vinda dos executivos da Namco Bandai ao Brasil, cheguei a conversar um pouco com Ryo Mito, produtor de CDZ, que focou suas respostas de uma única maneira "A ideia era deixar o jogo o mais acessível possível". Então, de acordo com ele, a decisão por um combate simples, sem travamento de mira no inimigo, com golpes fáceis foi tudo um plano, desde o início.

 
São dois botões que você vai usar a maior parte do tempo. Ataques fracos, fortes e um botão para os poderes especiais. No geral, são dois golpes especiais para cada Cavaleiro, mais um que é destravado à medida que você avança no jogo - como o Último Dragão, de Shiryu.
 
Depois de cada cenário vencido, você pode fazer pequenos ajustes no seu herói. Dividindo os pontos entre habilidades específicas, como força, velocidade, Cosmo, ou aumentando a destruição causada pelos seus ataques especiais. Ambas as táticas são válidas, mas só serão eficientes se você abandonar um pouco o modo história e se dedicar em missões paralelas para o acúmulo de experiência. Existem também alguns 'perks' para o herói que podem ser comprados mediante seus pontos de experiência. Itens como Cosmo infinito, força multiplicada por 10, defesa aumentada, e mais algumas robalheiras. São caros, mas é preciso comprar apenas uma vez e pode ser equipado por qualquer Cavaleiro.
 
Um aspecto legal de CDZ é que você pode controlar todos os personagens, um de cada vez. Cada um em uma fase, é claro. O problema é que à medida que você vai avançando no jogo, a IA vai ficando mais difícil, aumentando também o poder dos inimigos que você vai enfrentar, mas a experiência de cada Cavaleiro mantém-se igual. Ou seja, você começa com o Seiya, vence o percurso dele, alcança o nível 4 de experiência. Está um pouco mais forte, mas não é o suficiente ainda. Quando você voltar a utilizá-lo, lá pelo décimo estágio, talvez, você ainda estará nível 4, mas seus inimigos serão muito mais fortes. O que me lembra o pobre Hyoga, jogado (de verdade) pela primeira vez (a primeira luta contra Camus não conta) no final do game, em uma luta divertidíssima contra Milo, o Cavaleiro de Escorpião.
 
Esse ponto gera um sério problema á questão de acessibilidade do game, focado em um público menos hardcore. Vi pessoas não habituadas com o sistema de combate acharem o jogo extremamente difícil. E ele realmente parecer ser de arrancar os cabelos nas primeiras missões. Claro que, com o passar do tempo, você vai pegando as manhas, aprendendo macetes, desvendando o Sétimo Sentido e evoluindo os poderes de cada Cavaleiro a um nível que uma luta contra Shaka de Virgem dure apenas 10 segundos.

Os 12 Cavaleiros de Ouro



Tido como os mais fortes entre todos os Cavaleiros, os Cavaleiros de Ouro vão lhe causar pesadelos. Claro, depois que você aprender o macete de cada um, as batalhas vão durar menos tempo do que imagina. Mas até lá, prepare-se para atirar o controle na parede.

Cada um possui uma maneira específica de ser enfrentado. Milo, de Escorpião, por exemplo, possui um marcador no canto esquerdo da tela, indicando a quantidade de Agulhas Escarlates que você já foi acometido. Se o número alcançar 15, não importa a sua vida, é adeus, Cavaleiro. Contra Aiolia, o Cavaleiro de Leão, se você não souber utilizar o Sétimo Sentido para vencer seus golpes na velocidade da luz, provavelmente vai gastar todos os seus continues (sempre contados) e o Game Over será inevitável.

E quando você encarnar um deles, a coisa fica melhor ainda. Os 12 guardiões do Santuário são extremamente fortes. É uma apelação sem limites e você quase fica com dó dos seus adversários. A Crystal Wall de Mu, o Cavaleiro de Áries é tão injusta que você vai achar que está trapaceando em alguns momentos. Divertido ao extremo, mas válido apenas para o modo Missão.
 
Cavaleiros, vamos unir nossos Cosmos!
 
A campanha principal, relativamente longa, só pode ser apreciada por um jogador. Mas durante as missões paralelas, é possível acionar um modo para dois jogadores bastante complicado. Isso porque vocês vão combater na mesma tela, com uma câmera fixa e precisam tomar cuidado para acertarem uns aos outros (ok, a opção pode ser desligada também).

 
Nesse modo, os desafios são os mesmos da versão para um jogador, mas você pode ajudar um amigo derrotado, chegando perto e emprestando um pouco da sua energia para que ele volte à vida. Game overs serão mais escassos, caso haja uma sinergia entre vocês. Mas também, é só isso que vai mudar. Nada de golpes em conjunto - esqueça a Exclamação de Athena (sei que são necessários três Cavaleiros, mas é só para o contexto) ou similares -, cutscenes especiais ou quaisquer coisas do tipo. É um remendo para agradar uma pequena parcela de jogadores que gostaria de enfrentar um Cavaleiro de Ouro com algum amigo.
 
O divertimento online de CDZ se dá através de um ranqueamento mundial. Nele você encontra jogadores mágicos que fizeram as 12 Casas em menos de 39 segundos e fica se perguntando COMO DIABOS ISSO ACONTECEU?!!?!
 
Para entrar nesse ranqueamento, é preciso jogar o modo de missões com a opção "online" ligada, caso contrário, por melhor que seja o seu tempo, ele não será computado. A diferença aparece também no nível de dificuldade dos desafios. Jogados online, eles ficam bem piores que offline - experimente o Survival e você entenderá. 

Versão Brasileira Zap Games



Este é um momento histórico para o fã brasileiro de Cavaleiros do Zodíaco. É graças ao esforço dessa classe que o jogo conqusitou o direito de ser lançado por aqui. Foi por causa dos inúmeros e-mails brazucas que a Namco Bandai descobriu que o brasileiro é fã da saga criada por Masami Kurumada. Tanto quanto os franceses, diga-se de passagem.

A nossa versão de Os Cavaleiros do Zodíaco - Batalha do Santuário é única. Primeiro, não existe uma versão norte americana. Segundo, ela vem toda traduzida para o português, dos menus aos troféus - e se você já tiver o save do game europeu, é uma pena, mas você não poderá continuar seu progresso dele. Tanto o save quanto os troféus de CDZ serão recolocados no seu console, e você precisará começar tudo outra vez. Por fim, a edição brasileira conta com o mesmo brinde digital da versão japonesa, o Seiya vestindo a armadura de Sagitário. Contudo, ainda não existem informações se os demais DLCs serão disponibilizados - Dohko, Radamanthys, Kanon, etc.
 
Cavaleiros do Zodíaco - Batalha do Santuário não é o jogo do ano. Dentro do âmbito dos jogos de animes, até que faz bonito, mas ainda fica atrás de Hokuto Musou, por exemplo - e não estou avaliando as séries em si, mas o jogo. No entanto, ele ainda é aquele jogo de Cavaleiros do Zodíaco que a gente sempre quis, mas nunca achou que seria possível encontrá-lo no PS3. Nostálgico naquela medida que sempre apreciamos.

 

Saint Seiya: Sanctuary Battle

7.5

Bom

Lançamento: 16/03/12

Produtora: Bandai

Distribuidora: Bandai

Gênero: Ação

DO QUE GOSTAMOS

Elenco de personagens
Sistema de evolução
Dificuldade

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Missões muitos simples
Repetições
Pouca variedade nos combos
Autor da análise
Jefferson Kayo
Jornalista de joguinho e pseudo apresentador do Go! Game. Nutre em seu peito um sentimento de nostalgia para os botecos com fliperamas e do escambo entre um passe de ônibus e três fichas. Também acha que Smash Bros. não é jogo de luta.