Tony Hawk's Pro Skater HD
Clássico de skate continua bom, mas faltou ousadia
20/07/12 às 17:03 - Por Daniel Mello
Xbox 360 Playstation 3
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Esse lance de nostalgia é um negócio complicado. Li outro dia um especialista em uma revista Edge falando que as pessoas geralmente tendem a achar que as experiências do passado eram melhores que as atuais porque o cérebro do ser humano guarda as experiências positivas e vai deixando de lado as negativas.

No caso de Tony Hawk’s Pro Skater, o fato é que, pelo menos para mim, os três primeiros jogos da série são incrivelmente bons mesmo para os padrões atuais. Eu tenho Tony Hawk’s Pro Skater 2X do primeiro Xbox (e o jogo funciona muito bem no Xbox 360) e jogo ele até hoje. E depois de pegar o Tony Hawk’s Pro Skater HD, deu uma certa vontade de voltar para o jogo antigo.

É que Tony Hawk’s Pro Skater realmente refletia todo aquele lance de liberdade que os skatistas e surfistas pregam (não entendeu a relação? Recomendo assistir ao filme Os Reis de Dogtown). É você e seu skate, em um mapa livre, sem nada de “e agora aperte isso” ou coisas do tipo. Eles te largam lá e você precisa se virar do jeito que der. Sua arma é sua prancha com rodinhas e, ela que te dará cada momento especial de alegria quando sua manobra entrar bem quando você precisa, ou quando você finalmente conseguir a pontuação “Sick” daquela fase. 

A nova versão vem com pistas e alguns skatistas dos primeiros dois THPS, além de algumas músicas das antigas também. Gráficos recauchutados, com novas texturas e até um belo visual noturno para a fase Downhill Jam deixam o game com certa cara de novidade. A jogabilidade se manteve intacta, e a aquela física meio estranha também permanece lá.



O problema é que parece ter faltado ousadia à Activision na hora de decidir como seria essa reedição do velho clássico. Ponto positivo, mesmo, é para a trilha sonora: valeu demais o esforço dos caras irem atrás de algumas faixas antigas (e nós sabemos que esse lance de licenciamento de músicas é complicado mesmo) e é um deleite percorrer as pistas ao som de Anthrax, Millencolin e Lagwagon. Entre as faixas novas, com exceção da música do Telekinesis, eu considero que as escolhas foram de bom gosto e compõem bem o clima para um jogo de skate.

Mas no jogo em si, parece que pouco foi oferecido pelo seu dinheiro: são apenas sete pistas. Terminei o jogo, fui atrás de tudo, mas é só isso mesmo. Eu citei Tony Hawk’s 2X no começo do texto, e esse jogo tinha nove fases de THPS 1 e mais oito de THPS 2, além de cinco inéditas.

A economia de polígonos em Tony Hawk’s HD fez a Activision e o estúdio Robomodo deixarem de fora pistas legais como The Bullring, NY City, a School original de THPS 1 e a icônica Roswell. Aqui também não há mais as fases de competição (como a Skatestreet e a Skate Park), em que o jogador tinha três rodadas de um minutos de duração para fazer mais pontos que os outros competidores.

E esse é um problema sério: a última fase de THPS HD é Marseille, que era uma fase de competição em Tony Hawk’s Pro Skater 2, mas aqui ela reapareceu como uma fase normal com 10 objetivos. O resultado foi desastroso, já que com tantos elementos na tela ao mesmo tempo e em uma fase menor que as demais, não dá para fugir dos slowdowns. E uma pista desse tipo foi feita para ser de competição, não de objetivo. Ainda bem que essa foi a maior das heresias cometidas pela Robomodo.



Para quem viveu a era de ouro de Tony Hawk’s nos consoles (quer dizer, da primeira à quarta versão), vai ser bom rever figuras conhecidas como Rodney Mullen, Eric Koston e o próprio Tony. Entre os novatos, há profissionais como Chris Cole e Nyjah Huston, além de alguns pirralhos como Jake Harrison (de 13 anos) e Riley Hawk, filho do mito.

No geral, jogo em si continua bom e a jogabilidade é extremamente fiel à do primeiro THPS. Tombos na hora errada, alguns problemas de colisão... está tudo lá, intacto, como era em 1999. Perseguir os objetivos e completar os desafios de pontos nas fases continua sendo uma das melhores experiências que o mundo do vídeogame pode proporcionar. 

Como novidade, há um “modo cabeção”, em que a cabeça do personagem vai crescendo e só diminui conforme o jogador realiza manobras. Vence quem sobrevive mais tempo sem deixá-la estourar. Em outro modo, o Hawkman, é preciso pegar moedas pela fase, mas elas só podem ser coletadas caso o skatista esteja realizando alguma manobra. Aí você aprende como se faz um manual de verdade. Tudo isso pode render boas sessões de diversão online, mas não em tela dividida.

Tony Hawk’s Pro Skater HD poderia ter sido uma justa e definitiva homenagem a um dos maiores clássicos da geração 32-bits, mas a ganância da Activision (o primeiro DLC com pistas extras já havia sido confirmado antes mesmo do jogo sair) permitiu que isso fosse realizado com ressalvas. Com um legado tão grande e com tanto conteúdo dos dois primeiros games da série para serem reaproveitados, a publisher e a Robomodo preferiram o caminho mais fácil. É bom, mas poderia ser bem melhor.

Tony Hawk's Pro Skater HD

Avaliado no: Xbox 360
Disponível também para: Playstation 3

7.0

Bom

Lançamento: 2012

Distribuidora: Activision

Jogadores: 1

Gênero: Esporte

DO QUE GOSTAMOS

A jogabilidade continua muito boa
Gráficos totalmente refeitos
Trilha sonora manteve o nível

DO QUE NÃO GOSTAMOS

Muitas pistas ficaram de fora
Não há mais pistas de competição
Num precisava estragar Marseille, né?
Autor da análise
Daniel Mello
Na PlayTV há dois anos. Ex-pro-player, fanático por Quake e FPS em geral, não suporta jogos freemium e nunca terminou Final Fantasy IV, mas encararia esse desafio se fosse com uma bacia de almôndega com cream cheese.