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Backstage - O arcade NBA Jam
Bastidores do VHS que convenceu a liga a licenciar a marca
26/04/12 às 17:05 - Por Daniel Mello



Ah, os anos 90: com bonés do Chicago Bulls na moda no mundo inteiro, a Williams quis tentar aproveitar esse hype todo e lançar um game de basquete com a licença oficial e todos os times da liga norte-americana do esporte.

Só que as coisas eram difíceis naquela época: enquanto hoje em dia uma licença dessas pode ser resolvida com um portfólio que seu futuro parceiro pode ver pela internet, os anos 90 demandavam um trabalho maior.

Para tentar conseguir o aval da NBA em licenciar a marca e as equipes, a Williams produziu uma versão beta, do jogo (que viria a se tornar NBA Jam) e criou um vídeo meio institucional em cima disso para tentar vender a ideia aos executivos da NBA.

O filme é bem interessante, apresenta a Williams e fala sobre a produção de Terminator 2, com ênfase nos gráficos digitalizados e tudo mais. O destaque, mesmo, é quando o vídeo começa a mostrar a versão incabada de NBA Jam, com cerca de 25% do trabalho finalizado, e cheio de características que não apareceram na versão final.

Um fato curioso é que as imagens sempre mostram quatro jogadores na quadra ao mesmo tempo, vestindo uniformes do mesmo time, mas o narrador nunca deixa claro que o jogo seria no esquema de dois-contra-dois. Será que era para a NBA achar que a parada seria mais realista? Não sabemos, mas ainda bem que saiu como dois-contra-dois mesmo: o estilo acabou sendo copiado por outros jogos, e a franquia NBA Jam fez um sucesso tremendo nos arcades e resiste até hoje justamente por ter introduzido um esquema tão legal assim.

Talvez por ter mesmo esta proposta mais arcade, a versão final de NBA Jam acabou deixando de lado duas características que aparecem no vídeo: a câmera em primeira pessoa e um foco maior na atuação dos juízes.



A câmera em primeira pessoa seria utilizada em tiros livres para dar “maior dramaticidade” às cenas, sob pena de deixar a jogabilidade mais travada. Já o esquema dos juízes traria os árbritos em cenas em full-motion video e uma janelinha no canto da tela. Nenhuma dessas características apareceu na versão final, tampouco elas chegaram a ser aproveitadas nos lançamentos futuros da série NBA Jam.

Mas quer saber? A minha aposta é que a Williams nunca quis nada disso, e que o objetivo sempre foi fazer o NBA Jam em estilão arcade que nós conhecemos. Estas firulas todas basicamente podem ter servido para impressionar os executivos da NBA, que possivelmente não manjam nada de game e ficariam empolgados com estas possibilidades todas. 

Um fato curioso é que o protótipo continha cenas com os nomes de Charles Barkley e Michael Jordan. Barkley até apareceu no arcade, mas ficou de fora das versões de console, enquanto que Michael Jordan não gosta de vídeogames e raramente licencia sua imagem para este tipo de produto - de cabeça, dá para lembrar dele no game do Space Jam e nos recentes NBA 2K11 e 2K12.

Problemas de licenciamento à parte, o fato é que o arcade NBA Jam saiu em 1993 e fez um sucesso estrondoso, a ponto de rivalizar com games de luta nas casas de fliperama dos Estados Unidos. A boa recepção motivou a Williams a dar continuidade na série e lançar NBA Jam: Tournament Edition, que veio cheio dos easter eggs (lembra do Bill Clinton?) e acabou recebendo conversões para consoles de 16-bits e 32-bits.

A franquia passou um tempo sendo reciclada com outros nomes, como NBA Hangtime e NBA Showtime (esta última com gráficos poligonais), até passar para as mãos da Electronic Arts, que lançou seu NBA Jam para Wii, Xbox 360 e PlayStation 3 no ano passado.

Autor da coluna
Daniel Mello
Na PlayTV há dois anos. Ex-pro-player, fanático por Quake e FPS em geral, não suporta jogos freemium e nunca terminou Final Fantasy IV, mas encararia esse desafio se fosse com uma bacia de almôndega com cream cheese.
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