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Dojo - Profissão: comentarista de jogos de luta
Uma pequena reflexão sobre esse novo ofício
19/10/11 às 00:00 - Por Jefferson Kayo



Ok, isso ainda não é uma realidade para as transmissões de campeonatos no Brasil, mas já é uma verdade lá fora. Nos EUA, uma infinidade de grupos e personagens já consagrados por suas transmissões fazem a festa durante os grandes eventos envolvendo os jogos de luta. Nomes como James Chen, Ultra David, Team Spooky, Aris e até mesmo Seth Killian, o "embaixador dos jogos de luta" tornaram-se famosos por seus comentários durante as partidas de campeonatos como o Evolution, OffCast, Devastation, Norcal, Socal, e tudo que é relacionado.

Então que essa semana, um site americano especializado em jogos de luta publicou um artigo referente exatamente a esse 'boom' dos comentaristas. Mr. Jared, autor do texto, cita as transmissões de jogos como Starcraft 2, da MGL, IGN Pro League e da eSports League UK, comparando-as com as recém (de 2009, segundo ele mesmo) investidas no mundo das lutas virtuais. O resultado, para ele, é que as transmissões dos jogos de luta que tanto apreciamos precisam passar por uma reciclagem.

São inúmeros fatores que passam da simples euforia, a não distinção entre hardcores e casuais - se pegarmos os números de transmissão da final do EVO 2011 (e as tuitadas daquela noite), é fácil enxergarmos um aumento da visitação graças aos curiosos entusiastas - e uma falta de "profissionalismo" dos atuais representantes da categoria. Isso, nas palavras de Mr. Jared, precisa mudar urgentemente.

Deixando a realidade deles e pensando um pouco na gente, passamos por uma enorme fase de experimentação, eu diria que uma aglutinação de culturas (esse próprio texto é um reflexo de um pensamento que veio de fora). Um canibalismo bem vindo, responsável pela criação do jeito brasileiro de narrar essas partidas. Os pioneiros, um fórum nacional bastante conhecido por sua fluência nos jogos de luta, e que constantemente atrai seus visitantes para encontros presenciais onde são realizados campeonatos, criando nosso próprio ranqueamento e tier list de jogadores e personagens. Devido à sua reclusão involuntária, apenas uma pequena quantidade de entusiastas do gênero dos jogos de luta aqui no Brasil conhecem esses "Daigos" e "Justin Wongs" brasileiros, e isso afeta diretamente as transmissões online dessas partidas quando são realizadas.

São tantas piadas internas profanadas durante as transmissões que fica difícil entender algo numa primeira instância. É preciso aguentar algumas horas de transmissão para sacar piadas geradas com um verbo substantivado jogado à esmo numa frase, gírias como "farofar", "sharingar" - e essa, em particular, se você não estiver por dentro do mundo dos animês e mangás, não vai entender mesmo - e "peidar na lancheira" (essa eu não entendo até hoje).

Outra questão é o cuidado para não narrar o óbvio. É como um bom fotógrafo que na hora de colocar uma legenda, apenas descreve a foto, não a complementa. Não é sempre, mas de vez em quando falta o tino do comentarista de discernir o que se vê e o que se digere. Não é preciso descrever o passo a passo do combo porque não é uma transmissão via rádio, mas sim mastigar aquilo e entregar uma conclusão satisfatória ao espectador.

Também não é uma questão de desmerecer o esforço dos responsáveis pela divulgação do gênero ou pelas transmissões realizadas com sucesso. A iniciativa é maravilhosa, mas não pode ser tratada como 'café com leite', muito menos 'apenas para os amigos'. É quase o mesmo caso das famosas localizações de jogos em geral: gente que diz "Ah, pelo menos agora a gente tem alguma coisa" ou "Não dá para exigir muito porque é a primeira vez que temos algo do gênero". Acho que todos devíamos sempre pensar no melhor para a cena e entregar um feedback justo à proposta. Não desmerecendo, mas sempre incentivando.

Quem conhece as pessoas vai entender tudo e se divertir com as brincadeiras dos comentaristas, mas e quem não é do fórum ou do mesmo grupo de amigos? E o público que gostaria de prestigiar a transmissão nacional e incentivar a cena local para um crescimento proporcional ao nosso próprio amor pelos jogos de luta?

Eu sempre que possível assisto a essas transmissões, já conheço alguns favoritos dos torneios, gostos do mix de lutadores que aparecem nos campeonatos (tem um Guy excepcional que quase sempre está entre os finalistas), mas tenho todas essas ressalvas em relação aos comentaristas das partidas. São opiniões minhas e que não são direcionadas a ninguém, apenas à forma escolhida de comentar. Como Mr. Jared disse no artigo original, faz um tempinho já que essas transmissões deixaram de ser "para a gente" e passaram a ser "para todos".

E a sua opinião, leitor dessa coluna? Conhece as transmissões realizadas in loco por nossos compatriotas?

Ps.: Não cito no texto, mas os responsáveis pelas transmissões pertencem ao fórum especializado em jogos de luta Portal Versus.

Autor da coluna
Jefferson Kayo
Jornalista de joguinho e pseudo apresentador do Go! Game. Nutre em seu peito um sentimento de nostalgia para os botecos com fliperamas e do escambo entre um passe de ônibus e três fichas. Também acha que Smash Bros. não é jogo de luta.
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