Esquenta E3 2012: Como foi o primeiro evento
O nascimento do maior evento de games do planeta
28/05/12 às 19:01 - Por Daniel Mello



Nem parece, mas lá se vão dezessete anos de Electronic Entertainment Expo. A primeira edição aconteceu no mesmo Los Angeles Convention Center que sedia a feira até hoje e foi organizada pela IDSA (Interactive Digital Software Association), conhecida hoje em dia como ESA (Entertainment Software Association). A opção por realizar um grande evento próprio para games era bem óbvia: as duas Consumer Electronics Show anuais já estavam ficando saturadas com a sempre crescente quantidade de empresas de jogos e acessórios para games buscando um espaço para divulgar suas novidades para a imprensa e para os varejistas.

A feira rolou entre os dias 11 e 13 de junho e já começou com uma bomba logo no primeiro dia: durante a conferência de imprensa da Sega, Tom Kalinske, então presidente da companhia, revelou que o Sega Saturn norte-americano estaria disponível nas lojas já a partir daquele dia. Com quatro games e estoques limitados, a manobra acabou se revelando um dos maiores fracassos de marketing da história da indústria - os jogadores tiveram dificuldade para encontrar os consoles nas lojas e o abastecimento só foi regularizado em setembro, data originalmente programada para a chegada do 32-bits.

Restaram os lançamentos para Mega Drive, como o Vectorman, maior destaque do 16-bits na feira, além de The Adventures of Batman and Robin, Comix Zone e Garfield: Caught in the Act. Para 32-X, foram apresentados Spiderman: Web of Fire, X-Men (que acabou sendo cancelado), Kolibri e NBA Action. No Game Gear, foram poucas novidades, incluindo Power Rangers: The Movie e uma versão do jogo do Garfield.



Na verdade, o anúncio mais do que bombástico da Sega serviu apenas para desviar um pouco o foco da mídia em cima do PlayStation. Na E3 de 1995, a Sony revelou que mais de 160 games estavam em desenvolvimento para seu primeiro console. A manutenção da parceria com a Namco, iniciada no Japão no ano anterior, era garantia de que muito jogo de qualidade estaria por vir. Uma outra parceria, desta vez com a Williams, rendeu uma conversão praticamente perfeita de Mortal Kombat 3, um dos destaques da E3 1995 em matéria de jogos de luta. 

Já a Nintendo decepcionou e não mostrou muito do seu Ultra 64 - mais novidades e a primeira apresentação jogável do console só aconteceriam mais no final do ano, na Shoshinkai, evento próprio da companhia. O Virtual Boy, que já estava disponível no mercado japonês, teve participação tímida na primeira E3 - o foco mesmo foram os lançamentos do Super NES, como Killer Instinct, Donkey Kong Country 2: Diddy Kong’s Quest, Earthbound e Chrono Trigger, e de Game Boy, como Street Fighter II e Donkey Kong Land, além de uma versão bem impressionante de Killer Instinct com apenas 4 megabits de memória. Entre os títulos third-party, destaque para a boa conversão do clássico Doom.

Mesmo sem o 64-bits da Nintendo, a primeira E3 foi repleta de marketing em cima de consoles. Além das estreias ocidentais de Saturn e PlayStation (que já haviam chegado ao Japão no ano anterior), a SNK exibiu a versão norte-americana do Neo-Geo CD, que prometeu (e cumpriu) ter jogos mais baratos por conta do uso dos discos em vez de cartuchos. Saía bem mais barato (US$ 40 de um CD contra quase US$ 200 de cada cartucho), apesar dos longos tempos de carregamento causados pelo leitor e apenas uma velocidade.



A Atari, já mal das pernas àquela altura do campeonato, focou suas atenções no Jaguar CD e em um curioso capacete de realidade virtual para o Jaguar. Um protótipo foi exibido em pleno funcionamento, mas o peso e o preço (ele vinha com tela colorida e até alto-falantes próprios) inviabilizaram a chegada do produto ao mercado. Em matéria de software, a Atari exibiu uma fraca lista de jogos com Battlemorph, Demolition Man, Myst, Fight for Life e Blue Lightning.

Já a 3DO Company (o consórcio formado por empresas como Panasonic, Electronic Arts e Time Warner e que criou o “padrão 3DO” de console de 32-bits) exibiu demonstrações de jogos rodando no M2, um 64-bits com CD prometido para ser lançado como console independente e também como acessório para o 3DO. O desenvolvimento do M2 acabou atrasando e, com PlayStation dominando o mercado e a iminência do lançamento do Nintendo 64, a 3DO Company acabou decidindo cancelar o projeto. Na E3, a imprensa teve a oportunidade de ver alguns jogos em vídeo, incluindo o assustador D2 (que eventualmente acabou saindo quatro anos depois para Dreamcast) e o belo game de corrida IMSA Racing.

Entre os acessórios, um bem curioso foi apresentado pela pouco conhecida Catapult Entertainment: a versão para Super NES do modem Xband, que permitia partidas online (pela linha telefônica) em games como Mortal Kombat II, NHL '95 e NBA Jam T.E. O preço de US$ 9,95 pela assinatura do serviço não era salgado, mas o problema era a conta de telefone que vinha no final de cada mês. O Xband não deslanchou, mas uma versão para Mega Drive aportou no Brasil como MegaNet 2 e foi relativamente popular.

Na onda da realidade virtual, além do capacete do Jaguar e de um ou outro lançamento do Virtual Boy, a desconhecida Virtual IO apresentou seu par de óculos especiais para computador. A peça era compatível com boa parte do lançamentos da época e era bem leve, mas não deslanchou. De resto, uma avalanche de controles com funções turbo para os consoles de 16-bits e uma série de pistolas de luz completavam a farra da E3 1995. No ano seguinte, o evento foi para Atlanta, onde permaneceu por mais um ano, até voltar de vez para Los Angeles.

Autor do especial
Daniel Mello
Na PlayTV há dois anos. Ex-pro-player, fanático por Quake e FPS em geral, não suporta jogos freemium e nunca terminou Final Fantasy IV, mas encararia esse desafio se fosse com uma bacia de almôndega com cream cheese.
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