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De Trás Pra Frente #5
Novo do Flaming Lips traz parcerias bizarras e... sangue
30/05/12 às 20:00 - Por Alex Menotti



Durante o último ano, o Flaming Lips gravou várias colaborações, com gente tão díspare quanto Nick Cave e Ke$ha. No final do mês passado, em comemoração ao Record Store Day, a banda lançou o disco The Flaming Lips And Heady Fwends, em que compila diversas dessas "parcerias". Que o Wayne Coyne tem uma cabecinha perturbada (no bom sentido), a gente já sabe. Mas, ouvindo o disco inteiro, é de se imaginar de que planeta ele realmente veio.

O pior é que o que poderia virar uma colcha-de-retalhos maluca acaba funcionando. Apesar de as faixas terem sido gravadas em momentos diferentes - muitas delas já lançadas em EPs e tal - quando ouvidas na sequência, formam uma unidade. Musicalmente, os Lips reforçam suas influências "krautrockianas" apresentadas no disco Embryonic, de 2009, e vão além. Há desde o experimentalismo radical de "Supermoon Made Me Want To Pee" (com o Prefuse 73) até a doçura pop de "Children Of The Moon" (com a banda australiana de rock psicodélico Tame Impala).

As colaborações "bizarras" também dão certo. A improvável participação da Ke$ha na faixa de abertura, "2012" (com trechos que parecem um Stooges cyberpunk), é um dos melhores momentos do disco. E o fato de juntar o Chris Martin (Coldplay) com os Lips, na canção "I Don't Want You To Die", o que para mim poderia parecer com misturar energético e uísque (melhora um e estraga o outro) acaba rolando tranquilamente.



O Flaming Lips "normal" (no que é possível ser "normal”) surge em faixas como "I'm Working At NASA On Acid" (parceria com a banda "noise" Lightning Bolt) e na bonita-pero-estranha "Ashes In The Air", ao lado do Bon Iver. Outro grande momento é a participação do Jim James, vocalista do My Morning Jacket, na psicodelicamente torta "That Ain't My Trip".

Ela, por sinal, prepara o terreno para a entrada em cena do mestre Nick Cave na demencial "You Man? Human???". Outros momentos inusitados ficam por conta do dueto com a Erykah Badu, desconstruindo o clássico da Roberta Flack, "The First Time I Ever Saw Your Face", e da Yoko Ono fazendo... bem, fazendo o que a Yoko Ono faz em "Do It".

Não satisfeita, a banda ainda lançou uma edição limitadíssima de dez cópias do álbum, em vinil, contendo uma gotinha de sangue de cada um dos convidados. Cada disco custa mais ou menos R$ 5.000! É aquela coisa. O Wayne Coyne é tão esquisito, mas tão esquisito, que até quando sua banda lança um disco com músicas gravadas em ocasiões diferentes, repleto de participações que, teoricamente não tem nada a ver uma com a outra, o treco todo parece ter sido pensado com começo, meio e fim. Vai entender.

Autor do especial
Alex Menotti
Jornalista jurássico, ainda compra CDs e grava fitas K7. Gosta de rock básico, jazz torto e música brasileira “véia”, entre outras coisas. Sofre diariamente por saber que jamais vai ver um show do Clash e o Corinthians campeão da Libertadores. Não entende as letras do Djavan.
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