Eu, Rockeiro #18 - Filter
Conheça a banda de Richard Patrick, ex-Nine Inch Nails
29/06/12 às 20:30 - Por Vinícios Duarte



A banda desta semana é fruto do trabalho de um ex-guitarrista de turnê do Nine Inch Nails, Richard Patrick. O cara fundou o Filter em 94 e desde então é dono de um som industrial bem diferente do que se houve por aí. Richard Patrick e Brian Liesegang iniciaram este novo projeto que logo garantiu contrato com o selo Reprise. Os dois produziram o álbum de estreia, Short Bus, fazendo tudo - vocal, guitarra, baixo, bateria, teclado, programação e produção. Vendeu mais de 1 milhão de cópias só nos Estados Unidos, sendo que parte do sucesso veio do single "Hey Man, Nice Shot". A música fez ainda mais sucesso com as controversas criadas pela imprensa, associando a música ao suicídio do político Budd Dwyer (87) e depois à Kurt Cobain (94). O single entrou também pra trilha sonora do filme Os Demônios da Noite (Tales from the Crypt: Demon Knight, de 95).

Short Bus é um álbum bem experimental, que mistura faixas com som grunge, industrial e alternativo. "Hey Man, Nice Shot" abre o álbum e é de longe a melhor faixa do álbum. Outras faixas que recomendo são "Dose" (segundo single), "Take Another", "It's Over" e "Gerbil". Sim, apenas estas faixas, pois confesso que Short Bus não é um álbum fácil de ouvir nos dias de hoje. Ouça apenas os singles e pule direto para os próximos álbuns.



Para tocar ao vivo durante turnê, Patrick e Liesegang recrutaram Geno Lenardo (guitarra), Frank Cavanagh (baixo) e Matt Walker (bateria). Com esta formação gravaram o clipe de "Dose" e contribuíram também para outras trilhas sonoras, com as novas faixas "Thanks Bro" em Songs in the Key of X: Music from and Inspired by the X-Files e "Jurassitol" em O Corvo - A Cidade dos Anjos (The Crow: City of Angels), ambos lançados em 96.

No ano seguinte veio a contribuição para o filme Spawn - O Soldado do Inferno, com "(Can't You) Trip Like I Do". Uma mistura de rock com eletrônico gravada em parceria com o Crystal Method, que também rendeu um clipe bem doido. Em 98 gravaram um cover da música "One", de Harry Nilsson, para a trilha do filme Arquivo X.

O trabalho do Filter continuou com o segundo álbum, ironicamente intitulado Title of Record (título da gravação). A formação se manteve a mesma, mudando apenas o baterista: sai Matt Walker, que foi trabalhar com o Smashing Pumpkins, e entra Steve Gillis. Sonoramente, o Filter deixou um pouco de lado o rock industrial para fazer baladas. O resultado agradou bastante, ganhado boas avaliações em revistas e sites ao redor do mundo. Vendeu mais de 1 milhão de cópias (passando Short Bus) e é o álbum de maior sucesso do Filter até o momento. O sucesso veio especialmente do single "Take a Picture", a faixa mais relax e balada de todo o álbum.



Recomendo também as faixas "Welcome To The Fold", "Captain Bligh" (que se refere aos hábitos anti-sociais de Trent Reznor, do NIN), a eletrônica "The Best Things", "I Will Lead You" e a baladinha "Miss Blue", que encerra o álbum. Uma canção bem calma, gostosa de ouvir e com a participação de D'arcy Wretzky (ex-baixista do Smashing Pumpkins). Ela participa também das faixas "Take a Picture" e "Cancer", cantando ao fundo.

Em 2002 saia o terceiro álbum do Filter, The Amalgamut. Um álbum acima da média, mas que infelizmente marca o início dos problemas da banda. Mesmo com 12 ótimas faixas, incluindo o hit "Where Do We Go from Here", as vendas empacaram em torno de 90 mil cópias nos EUA. E isso aconteceu quando Patrick foi internado em uma clínica de reabilitação devido ao seu problema com álcoolismo. O mesmo problema levou ao cancelamento da turnê e a grana acabou vindo de outras formas: comerciais de tv do Hummer H2 e participação na trilha do filme Lara Croft Tomb Raider - A Origem da Vida (Lara Croft Tomb Raider: The Cradle of Life).

The Amalgamut chegou à posição #32 da Billboard 200 e entrou em outras paradas do mundo, com "Where Do We Go from Here" sendo tocada incessantemente na rádio e tv. Não deixe de ouvir também as faixas "You Walk Away", "American Cliche", a pesada "Columind", a belíssima "The Missing", "The Only Way"... Quer saber, ouça tudo! Você não se arrependerá, prometo.



Este foi o último trabalho com Geno Lenardo, Frank Cavanagh e Steve Gillis, e assim o Filter entrou em um longo hiato de cinco anos. Patrick se recuperou rápido, mas preferiu dar um tempo à banda para se dedicar aos projetos paralelos: Army of Anyone, com dois membros da banda Stone Temple Pilots, e The Damning Well, com Wes Borland (guitarrista do Limp Bizkit). Dois ótimos trabalhos, mas que não venderam bem. Patrick resolveu então voltar a trabalhar em um quarto álbum para o Filter.

Em 2008 saia Anthems for the Damned, agora pelo selo Pulse, sendo considerado o trabalho mais emotivo do vocalista. O resultado? Mais de 13 mil cópias vendidas na primeira semana de lançamento e a posição #60 na Billboard 200, fora outras paradas. O álbum soa melódico e ao mesmo tempo pesado, misturando metal com rock industrial. "Soldiers of Misfortune", primeiro single, ganhou um clipe que fez muito sucesso na MTV. O segundo single, "What's Next", fez mais sucesso nas rádios e entrou pra trilha sonora de Jogos Mortais V, em versão remixada.

O álbum conta com a contribuição de John 5, guitarrista que já tocou em trocentas bandas e hoje trabalha com Rob Zombie, o já citado Wes Borland e Josh Freese (NIN). De novo um álbum para ouvir de cabo a rabo, especialmente as faixas "The Wake", "Cold (Anthem For The Damned)", "The Take" e "In Dreams".

Ainda em 2008 lançaram a coletânea The Very Best Things (1995-2008), que além de reunir todas as músicas dos álbuns anteriores trás também as contribuições para filmes. Nos anos seguintes Patrick continuou a compor músicas para filmes (O Padrasto, 2012) e também séries de tv, como Criminal Minds. O quinto álbum, The Trouble with Angels (com o selo Nuclear Blast), chegava às lojas em 2010. São 10 faixas muito boas, com 5 faixas bônus na edição especial (2 CDs). Um trabalho, na época, feito com Mika Fineo (bateria), John Spiker (baixo) e Mitchell Marlow (guitarra).

The Trouble with Angels é o álbum que mais gosto e recomendo pra quem não conhece o Filter, pois mistura o melhor do Short Bus com The Amalgamut. É também um  álbum mais fácil de agradar à todos os gostos e, de novo, pra ouvir inteiro. Sinceramente, eu não consigo escolher minhas favoritas aqui... São todas muito boas mesmo! Baixo você confere o clipe de "No Love".



Atualmente o Filter está trabalhando no sexto álbum, Gurney and the Burning Books, com lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. A produção é de Bob Marlette, que já trabalhou com Black Sabbath, Alice Cooper, Marilyn Manson, Seether, Airbourne, Atreyu e muitas outras bandas de rock. Ou seja, vem coisa boa por aí!

Até a semana que vem, galera!

Autor do especial
Vinícios Duarte
Roqueiro e doido por games desde pequeno, trabalha como designer do Portal PlayTV e escreve matérias sempre que sobra um tempinho. Nos games, curte um pouco de tudo mas prefere os gêneros de ação e RPG. Também não perde um bom filme e acompanha o máximo de séries possíveis. Agora quando o assunto é rock, cospe conhecimento sobre os mais variados estilos e tenta acompanhar os principais shows no Brasil.
Matérias relacionadas
26/10/12
Você sabia que o ex-vocalista do Pantera, Phil Anselmo, tem uma banda paralela? Pois...
19/10/12
A dica de hoje é para os fãs de Slipknot. Não, não irei falar de outra banda...
12/10/12
Se você é um headbanger fã de metal e suas variações, vai ficar feliz com a...
05/10/12
Creio que muitos que lêem esta coluna curtem ou pelo menos conhecem o Motörhead e...
28/09/12
Já ouviu falar na banda inglesa The Subways? Não? Maravilha. Se você curtiu o som...
21/09/12
Nesta edição do Eu, Rockeiro, vou falar de uma banda incomum chamada Awolnation....