Setlist #5 - Maracatu Atômico
“Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada”
24/05/12 às 20:05 - Por Jéssica Marques



Já passou da hora de parar de pensar que é só de axé e forró que vive o nordeste. Nunca foi assim e jamais será. A cena nordestina é muito importante para quem quer entender sobre a música popular brasileira. E isso tudo é resultado da colonização e da miscigenação que aconteceu aqui no Brasil desde seu descobrimento.

O “Maracatu” é um ritmo musical, que surgiu a partir de uma manifestação cultural conhecida como “Maracatu Nação” que nasceu em Recife em meados do século XVIII. Como todas as manifestações artísticas brasileiras que apareceram nesse período, era uma mistura de culturas que viviam por aqui na época: Indígena, européia e principalmente africana.
Suas batidas fortes e frenéticas são cheias de tambores, caixas, taróis e ganzás.

Nos anos 90, os recifenses tendo essa influência misturada com rock, hip hop e até música eletrônica, criaram um movimento de contracultura chamado “Manguebeat” As principais bandeiras que o movimento levanta são diversidade cultural e criticas sobre as diferenças e desigualdades sócio-econômicas nordestinas.

O “Manguebeat” foi tão forte que influenciou todas as formas de arte do Recife e transformou a cena da cidade, chamando a atenção do país e fazendo com que ela fosse uma das mais importantes até os dias de hoje.

Aqui, cinco bandas de Recife que devem ser escutadas pelo menos uma vez na vida e que de alguma forma, foram influenciadas por todo esse movimento. Já alerto que se você respira arte e cultural brasileira, é impossível não se apaixonar por pelo menos uma delas.

Chico Science & Nação Zumbi



Fazer um texto sobre artistas do Recife e não citar Chico e a Nação é um ato de extrema heresia.
A banda surgiu bem no começo dos anos 90 e foi uma das fundadoras do “Manguebeat” Eles são exatamente tudo o que o movimento queria mostrar: diversidade cultural com uma infinidade de mistura de ritmos musicais com letras críticas.

Chico Science e Fred Zero Quatro, do Mundo Livre S/A, escreveram um release para tentar explicar para o Brasil o que queriam fazer, esse texto acabou virando o “manifesto dos caranguejos com cérebro”que tem como símbolo uma antena parabólica na lama, mostrando que no mangue esquecido existiam “caranguejos”antenados. Chico morreu em um acidente de carro em 1997 e então a banda ficou chamando apenas “Nação Zumbi”e um dos integrantes, Jorge du Peixe, assumiu os vocais, onde está até hoje em dia.

Mundo Livre S/A



O Mundo Livre S/A, sempre caminhou muito ao lado de Chico Science & Nação Zumbi, como já foi dito, mas enquando a Nação fazia o seu maracatu pesar uma tonelada e gritava protesto, o Mundo Livre tendia mais pro leve, samba e eletrônico com poesia.

Sheik Tosado



O Sheik Tosado apareceu em 1996 e lançou apenas um álbum em 1999, o “Som de Caráter Urbano e de Salão” A banda misturou hardcore, punk, frevo e maracatu para ver no que dava e deu certo. Esse único álbum foi o suficiente para causar barulho e ficar marcado na história. Se separaram no começo dos anos 2000, mas o vocalista China continua trabalhando com música. Seu último disco, “Moto Contínuo” foi lançado em 2011 e na minha opinião é um dos melhores nacionais desse ano. Além disse, tem o projeto “Del Rey” junto com a banda Mombojó, onde tocam músicas de Roberto Carlos.

Mombojó



Eles surgiram já nos anos 2000 e foram revelados para o Brasil no tradicional festival recifense “Abril Pro Rock” Guitarras, computadores e cavaquinhos definem o som da banda. Apesar de novos, os integrantes estão beirando os 30, são respeitas no cenário musical brasileiro por grandes artistas. É uma banda ótima para dançar se você quer dançar e ótima para relaxar e ficar deitado, se você quer relaxar e ficar deitado. Mombojó é uma das melhores bandas nacionais dos últimos tempos e é uma ótima trilha para qualquer momento.

3 na Massa



O 3 na Massa é um projeto de dois integrantes do Nação Zumbi (Dengue e Pupillo) e um do Instituto (Rica Amabis) que tomam contam do instrumental enquanto convidadas assumem os vocais. Pitty, Leandra Leal, Céu e Thalma de Freitas, são exemplos de mulheres que já gravaram músicas com o trio. Vale a pena escutar a deliciosa mistura do Recife com a sensualidade e feminilidade das meninas.
 

Autor do especial
Jéssica Marques
Uma "24 hour party people" que fala pelos cotovelos. Ama sorvete, cerveja, zumbis, festa, pizza, pin ups, desenho animado, cinema e Beatles. Dança rockabilly nas horas vagas e concorda que sem música, a vida seria um erro.
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