Virada Sustentável: Eu fui!
08/06/12 às 15:31 - Por Jéssika Bertani



No fim de semana de 2 e 3 de junho, aconteceu em 149 locais de São Paulo, a segunda edição da Virada Sustentável. Foram 612 atrações realizadas em parques, praças, casas culturais, escolas, universidades, e até mesmo na rua, que reuniu artistas, músicos, ambientalistas e professores em palestras, workshops, oficinas, shows, exibição de filmes e muitas outras atrações.

Minha tarefa era ir ao máximo de atividades num único dia. No domingo, 03, pulei da cama às 8h da manhã para traçar minha rota. Privilegiei lugares centrais, com menor tempo de locomoção entre um e outro, para que pudesse ver o maior número de atividades possíveis. Algumas eram super interessantes, mas tiveram que ser limadas por dificuldade de locomoção ou falta de tempo.

Primeira parada: Centro Cultural São Paulo. Cheguei lá por volta das 10h. A primeira exposição que vi foi Flores da Cidade, da artista plástica Renata de Andrade. Garrafas, tampinhas e outros descartáveis ocupavam a area externa do Centro Cultural, confundindo lixo com arte, lembrando-nos que já incorporamos o lixo à natureza, sem mais nos importar com sua presença. Confundido com a paisagem, não nos damos conta do seu potencial ameaçador.

A próxima, desta vez dentro do prédio, era a Mostra Paradas em Movimento: Convergência Natural. São 10 telas de plasma espalhadas em locais de passagem onde são exibidos curtas-metragens onde o tema sustentabilidade é explorado por artistas e coletivos de arte.
Lá podem ser vistos vídeos filmados em Brasília, Campinas, Piracicaba, São Paulo, Vietnã e Moscou. Apesar das diferenças de linguagem, tem em comum a urgência dos problemas ambientais e a necessidade de colaboração e transformações individuais e coletivas. A mostra fica por lá até dia 01 de julho.

Um desses vídeos é com o rapper Funk Buia, do grupo Z'África para o Projeto EcoLuta. Produzido em 2003 pela Olldog Filmes, é um entre vários clipes em que artistas foram convidados para fazer uma música de 1 minuto com tema ecológico.



Uma outra atividade que estava rolando por lá era a Distribuição de livros infantis sobre sustentabilidade. De forma lúdica e educativa, informam sobre reciclagem, cidadania, consumo consciente, energia, saúde e inclusão. Enquanto fazia as fotos, ouvi um conselho sendo dado: “Diga pra sua filha primeiro ler a sinopse, antes de escolher o livro. Se não ele corre o risco de ficar jogado embaixo da escada.” Pois é, até um livro pode virar lixo.

O meu segundo ponto de parada foi o Conjunto Nacional, na Paulista. Fui para lá atraída pela instalação Espiral, inspirada no pensamento do filósofo Edgar Morin. Uma obra composta de grandes anéis de compensado, distribuídos na parede e preenchido por diversos materiais recicláveis em seus processos de transformação.

Segundo Nildo Campolongo, designer e artista plástico criador da obra, o formato e conteúdo dos anéis, que muda de acordo com o local de exposição, ilustra as práticas locais de reaproveitamento de resíduos urbanos e suas implicações socioambientais.

Estava também exposto por lá uma Escultura de Cigarro, que não fazia parte da programação da Virada Sustentável, mas chama atenção pela sua composição. Trata-se de uma estrutura de 2 metros de altura, composta de 15 mil bitucas de cigarro, recolhidas durante 1 semana, nos cinzeiros do Conjunto Nacional e realizada pela COOPERAACS.

Por lá, ainda vi as exposições Morcegos: Você Sabia?, composta por diversas telas e informações sobre os hábitos e a importância dos morcegos no ecossistema; Ameaçados - Lugares em risco no século 21, com imagens do fotógrafo Érico Hiller de cinco locais do planeta que estão mudando drasticamente pelas transformações climáticas e ação do homem. E ainda a exposição Programa Cidades Sustentáveis, com imagens e textos sobre experiências sustentáveis em algumas cidades do mundo.



Uma boa surpresa foi o Bazar Solidário, que reúne diversos projetos de capacitação em ações de geração de renda. Lá encontrei muitos objetos feitos a partir de materiais recicláveis, entre eles essa linda luminária feita com bagaço de cana cozido, produzida por moradores de rua e bolas de futebol, produzidas a partir de solas de sapatos e tênis.

No Conjunto Nacional, assim como no Centro Cultural São Paulo, havia posto de recolhimento de Lixo Eletrônico. Na 1° edição da Virada Sustentável, em 2011, cerca de 27 toneladas de lixo eletrônico foram recolhidos e encaminhados para reciclagem e/ou descarte correto.

Sai do prédio do Conjunto Nacional ao meio-dia. Hora do almoço! Resolvi ir a um dos 27 restaurantes que iriam servir o Menu Sustentável, que em dia com a Virada, iriam desenvolver pratos com produtos de origem 100% orgânico, sem desperdício de alimentos e com redução de resíduos descartados. Escolhi o Marakuthai, por ficar próximo, mas chegando lá: Surpresa! “Não abre aos domingos”. Acabei almoçando em um restaurante lá perto.

De lá, segui para o Vale do Anhangabaú, onde rolava desde às 10h, debates com cooperativas de catadores e alguns pockets shows, como a Batalha de Rimas e do grupo de rap Inquérito, e o Pimp My Carroça, atividade onde grafiteiros e outros voluntários reformavam carroças de alguns catadores, dando cores e itens de segurança às carroças.

Cerca de 40 carroças foram “pimpadas” com o objetivo de chamar a atenção do trabalho desses verdadeiros agentes ecológicos urbanos, dando destaque, cor e segurança para estes carros nas ruas.

Houve no final, a Carroceata, onde as carroças foram conduzidas pelos voluntários até à sede da Prefeitura de São Paulo como intenção de chamar atenção para a condição desses trabalhadores.

Com o dia escurecendo, fui até o metrô para voltar para casa. Na Estação São Bento vi a última exposição, Belezas Sustentáveis, que fica por lá até dia 30 de junho. São luminárias feitas com garrafas PETs recolhidas na praias e mangues de Trancoso, no sul da Bahia.

Autor do artigo
Jéssika Bertani
Interessada em cultura hip hop e música jamaicana e apaixonada pela música brasileira de ontem e hoje. Adora assistir shows de bandas desconhecidas de graça, de preferência, jogada na grama. Sonha em jogar uma partida de sinuca com Paulinho da Viola e passar um final de semana no campo com Willie Nelson e seu violão Trigger.